domingo, 31 de janeiro de 2010

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O sorriso do espelho!

Olhou-se ao espelho, tinha um ar cansado, nos últimos dias tinha envelhecido séculos, aquele salto em comprimento no tempo, porém, não lhe trouxera grisalhos, apenas desalento...
Os olhos já não possuíam o brilho dos sonhos, tornaram-se baços, secos, mortiços, como cães q se arrastam, paralisados das patas de trás...
Gostava de se ver chorar ao espelho, numa estranha avaliação narcisista e masoquista da própria dor. Ficava ali, a ver as lágrimas a nascerem dos olhos, gostava de se ver através do desfocado provocado por aqueles lagos salobros, a ausência da nitidez da sua imagem no espelho reflectia bem o seu estado de espírito... O sofrimento também pode ser uma imagem bela, muitas vezes de tão bela e intensa deixa de ser uma consequência e passa a ser a causa... Só podia ser esse o motivo, era belo vê-la chorar, ele estava viciado na imagem dela torturada pela dor. Ele tinha voltado a magoa-la, não fora a primeira vez, nem a segunda, já tinha até perdido a conta... Pudesse ela ter numerado todas as lágrimas para fazê-lo ter noção, mas as lágrimas são heroínas anónimas e gostam de permanecer assim...
Respirou contra o espelho, tentou embaciar aquela imagem doída, estava na hora de mudar de rosto... Com o dedo desenhou um sorriso no espelho embaciado, estava na hora de recuperar, virar a pagina, superar aquela dor, fosse ou não fecunda em beleza...
Ele tinha voltado a magoa-la, não fora a primeira vez, nem a segunda, mas seria decididamente a última!

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

O abraço...

Abraçou-o, como se daquele abraço dependesse toda a sua vida, encaixando-o em si, obrigando-o a pertencer, como se existisse uma ficha invisível e pela primeira vez ficassem irremediavelmente ligados um ao outro...
Ele assustou-se, nunca tinha sentido aquele contacto, aquela entrega, aquela ligação, tentou empurra-la mas o corpo dela e o dele já se tinham confundido e agora não sabiam, não podiam, não queriam desligar-se, nunca mais...
Os corações tinham acertado o compasso num ritmo único. Quando existe este tipo de entrega é irrepetível, como se até o bater do coração passasse a ter direitos de autor e fosse impossível plagiar...
As íris diminuíram, porque a visão tornou-se introspectiva, naquele momento alcançavam dimensões paralelas e as suas almas imortais estavam frente a frente de braços esticados, a cima do corpo, de dedos entrelaçados a partilhar experiências milenares...Tantas encarnações q agora eram partilhadas em segundos...
Os cérebros latejavam de prazer, entre excesso de informação e uma paz eroticamente profunda... Os corpos tinham já perdido a conta do limite, falavam aquela língua invulgar da sensualidade, escrevendo mensagens subliminares em todos os milímetros da pele...
Perfumistas experientes, criando novas fragrâncias através do balançar dos corpos, agitados pela imortalidade, pelo amor e um prazer quase obsceno de tão completo...
Nasciam gotas de prazer, eram fontes e nunca se tinham dado conta, podiam saciar a sede um no outro, mas preferiam sentir as bocas secas e humedecer constantemente os lábios... Nunca seriam saciedade, preferiam ser a sede em si!

domingo, 24 de janeiro de 2010

Os contos de fadas não são feitos para acordar no dia seguinte...

Contou os passos q percorrera entre a fonte dos seus sonhos e o muro da sua razão, ainda via as pegadas marcadas na lama...
O percurso durara vinte e dois, míseros mas longos, passos...Pouco mais q quatro mãos cheias de dedos, marcavam a diferença entre o real e um imaginário q acreditara cegamente...
Olhando o decalque dos seus pés, num gesso lamacento e moldável, reflectia, apática... Quase podia jurar q tinha segurado, tocado, abraçado, beijado até, aquela realidade fictícia por diversas vezes... Como era possível q tivesse amado uma miragem, sem toque, sem cheiro, sem gosto? Seria a sua imaginação assim tão pródiga? Tão fértil? Tão cruel?
A pouco e pouco as pegadas começavam a desaparecer, entre memorias q a alma magoada já não conseguia reter mais tempo...
O cansaço impedia-a de exercitar o esforço mental de viver de recordações q nem foram palpáveis sequer...
Já passara a idade de treinar beijos com o espelho, precisava de sentir retorno do outro lado, calor de lábios, urgência de línguas...
Clamou, tanto tempo, pela saciedade e a tranquilidade quase dolorosa de sentir cada pigmento daquela ficção...
Mas a ficção nem se revelou cientifica sequer, talvez empírica, talvez espiritual, talvez insanidade apenas, talvez nem chegara a ser definível...
Não conseguia entender onde está a beleza de contemplar uma fonte e ficar ali a morrer à sede, sem mergulhar de cabeça na frescura plena de a beber sofregamente com uma entrega humilde e apaixonada...
Não, não sabia contemplar ao longe, esse prazer mórbido sabia-lhe a uma estupidez masoquista q não lhe trazia prazer algum...
Quem quer sonhar contos de fadas? Quando se pode viver a realidade tão rente à nossa pele?

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Em pausa...

De quando em vez temos q fazer uma pausa, para arrumar ideias, aprimorar objectivos, delimitar caminhos ou simplesmente experimentar ou investir em outras coisas. Assim vou tirar ferias da poesia durante uns tempos (serão curtos, pq a malvada mata-me de saudades) mas tenho mesmo de entregar-me mais a outros registos q por causa dela ficam "no pau da roupa" (q raio de expressão esta q gosto de empregar...). Assim a poesia vai de ferias, quiçá para as Maldivas, ja q eu de momento não posso ir para lá...
Beijinhos em todos os seguidores e visitantes q têm paciência para me vir espreitar!

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Always put the garbage in the garbage...

O doente sabor de um beijo!

Hoje desejo o sabor doente de um beijo...
Cola os teus lábios nos meus,
num estranho prazer...
Urgente, antes do adeus...
(Odeio este estado febril!)
Hoje desejo o sabor doente de um...
Talvez dois, ou nenhum...
Posso decidir depois?
(Vil loucura de te querer tanto...)
Hoje desejo o sabor doente de...
Nem sei...
Talvez de te sentir, sempre a fugir...
Meu pranto de vício doentio...
Tortura que não se acaba...
Braço de rio derrubando comportas,
roubando espaço,
destruindo colheitas...
(Feitas para não durar...)
Hoje desejo o sabor doente...
Meu abraço de anjo da morte,
a voar em círculos,
às portas de uma eternidade cheia...
Meia verdade, talvez,
parida em sinas de sorte...
Corrompida...
(Porque não morro de uma vez?)
Hoje desejo o sabor...
O teu, AMOR!!!
(Lábios como minas, estilhaçando tudo ao meu redor,
num desprezo mudo e ensurdecedor...)
Hoje desejo o...
A?
Que importa O quê?
(Ou A que preço?)
Hoje desejo...
Mereço um beijo?
Hoje?

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

O perdão mudou de casa...

Arranho o muro das minhas lamentações,
cravo as unhas até sentir os dedos castigados...
Mordo os lábios para não gritar...
Hoje sei q o sonho que me alicia,
é o mesmo q me repele...
As ilusões são vidros projectados contra a minha pele...
As forças abandonaram-me, deixaram-me a casa vazia,
partiram numa manhã fria qualquer...
E eu...
Eu deixei-me ficar...
Para trás, ou simplesmente atrás de ti...
Fugi, permaneci, morri..
Varri o soalho, devagar, lentamente,
eliminei as marcas dos móveis do sofrimento,
lavei as janelas do meu coração,
com a esponja do teu desprezo...
A lisonja do meu amor é o teu alimento...
Devoras-me, magoas-me, choras-me,
sufocas-me...
Perdoas-me amor?
Pelo mal que me provocas?
Perdoas-me?
És capaz?
Eu não me consigo perdoar mais...

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

E hoje acordei assim...

Adoro acordar com o som do amolador das facas, não sei se é um instinto psicotico qualquer gostar de ouvir, pela manhã, o senhor que se dedica a manter as facas afiadinhas e prontas a usar...
Mas, certo é q sempre q ouço este som não consigo evitar de sorrir!
Cada vez se ouve menos...
Mas hoje...
Ouvi!


segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

:)

Amo-te!

Lambo o teu cheiro no ar,
como absinto que me embriaga...
Cada gesto teu é uma promessa confessa e transpirada...
Respiro devagar, tomo fôlego...
Tento por agora, não pensar em nada...
Ainda q o tempo me traga saudades,
sinto que o espaço se vergou ao meu desejo...
Abraço o teu cheiro com a alma despida,
sinto-me vestida de ti,
corres-me nas veias, inteiro...
Enlouqueço, como vaga-lumes perseguindo candeias...
Aperto-me com força porque vives cá dentro, agora!
Cardumes de desejos,
teias de beijos,
aldeias de sentimentos,
q nos acolhem, que nos protegem,
coniventes, crentes, cheias de fé...
O mundo curva-se ao nosso amor...
Pinta-se da nossa cor, quer ser como nós...
Nós permanecemos de pé!
Voz da minha voz!
Minha ausência tão presente,
meu elo em macho e fêmea,
alma gémea de alma única,
minha tunica,
minha pele,
minha colmeia tão cheia de mel...

sábado, 16 de janeiro de 2010

Feeling like Mary Poppins!!!

Hoje flutuo!
Ausente de peso, ou densidade,
a gravidade perdeu-me o rasto
e o chão não me conhece o passo...
Abracei a liberdade e beijei-lhe a face,
não ocupo tempo, ou espaço,
hoje flutuo!
Sou criança, jovem, mulher!
Sou capricho em tons de anil,
num amuo infantil de um anjo qualquer,
que me escolheu para aprender a voar...
Sou nuvem que me acolhe e me deixa divagar...
Sou algodão doce e vapor de agua...
Hoje flutuo!
Como se fosse vento ou aragem,
lágrima cristalina sem sombra de mágoa,
fúria divina, ensaio de amor, paixão incontida!
Hoje flutuo!
Sou mel em teus lábios...
Sou vida, sou tinta de pincel...
Sou mar de abraços,
almejando o mundo dos sábios...
Imagem de mil palavras,
sintonia dos teus passos
plenitude, amor profundo!
Sou escrava enfeitiçando o senhor,
dançando, largando a cor...
Hoje flutuo...
Sou simplesmente alegria breve,
momento leve,
silencio que se inquieta,
pela palavra q parte...
Sou estrofe, verso e poeta,
parte de ti e minha parte!

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

A mulher e o baloiço...

Afundou-se no conforto do sofá da sala, passando o dedo nos lábios, procurando texturas irregulares...
Desta vez não chorava, o orgulho conseguiu que não se desconjuntasse em emoções e soluços abafados pela vergonha, pela culpa de se ter deixado enganar tão facilmente. Aguentou-se, aparentemente firme, com uma ferocidade quase irónica, por ter vaidade em esconder aquilo que a tornava melhor, o Amor...
Desta vez, as lágrimas ficaram retidas à porta dos olhos, não conheceram o pátio das pálpebras, nem o jardim da sua face...
Ainda assim teria trocado anos de vida por um colo que a balançasse...
Perguntava-se, vezes sem conta,porque se deixou crescer assim, tão depressa?
Quando era menina e estava triste, passava horas a andar de baloiço, aquele balanço ondulante tinha uma magia qualquer...
Tentava sempre chegar com os pés mais alto, dando impulso com o troco e com as pernas, às vezes chegava a pensar que o baloiço ia soltar-se dos encaixes e ela seria projectada para os braços abertos do céu...
A lembrança daquela sensação, afastou os fantasmas que a torturavam e trouxe-lhe um sorriso saudosista, mas ainda assim delicioso!
Se ela tivesse um baloiço tudo seria simples, como era antes, nos tempos de princesa pequenina...
Deitou-se para trás, elevou as pernas e deixou-as repousar nas costas do sofá, fechou os olhos e visualizou um baloiço, imaginou-se a acariciar as correntes, a segurança de as agarrar com força, balouçou-o na sua mente, primeiro só com as mãos, como se o namorasse, numa espécie de ritual de corte.
Passou a mão aberta pelo assento de madeira, procurando a mesma textura irregular que procurara há momentos nos lábios...
Finalmente sentou-se, sem pressa, saboreando aquele momento que lhe trazia tantas recordações, tanto conforto, tanta magia!
Permitiu-se balouçar, primeiro devagar, como que se reaprendesse a soltar-se, depois mais depressa, mais confiante, mais destemida, desta vez ia mesmo chegar ao céu...

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

"Te voglio... te penso... te chiammo... Te veco... te sento... te sonno..." :)

A prova de q a voz da alma ecoa para além das dimensões...


Lágrimas de cera...

Fecha os olhos,
as pálpebras abraçam-se molhadas,
doridas, embebidas em lagos,
implorando afagos q não chegam...
Fecha todas as luzes à sua volta...
Envolta em escuridão,
sente-se outra...
Pode fazer de conta q tem outros nomes,
outras historias,
outras memórias,
outras dores...
Acende uma vela,
o fogo do pavio contrasta
com o branco puro e frio da singela vela gasta...
Sua única companhia na melancolia
do luto da escuridão...
Confessa-lhe todos os medos,
numa espécie de reza...
A vela ouve com atenção,
não a despreza...
A cera da vela escorre,
numa espécie de gelatina
opaca e quente...
Ela estende os dedos,
apara a gota pequenina,
deixa q a lágrima de cera
seque no seu indicador...
Pela primeira vez ela sente
q algo se identifica com a dor,
q é só dela..
A vela entende...
A vela, como ela,
também chora, por amor...

domingo, 10 de janeiro de 2010

...

A morte das fadas...

Frio...
O gelo q escorre por mim...
Lava-me a dor, o sofrimento, o amor...
Faz-se em cubos q bebo com gin,
a q te sabe o gin?
Consegues decifrar o sabor?
A mim sabe-me mal,
sabe-me a ti.
O mundo da fantasia ficou la fora,
à porta de ferrolho encravado,
trancado para sempre num porão sem ar,
que não permite sonhar...
Não, já não existem fadas,
morreram despedaçadas,
de asas arrancadas ou esburacadas
com pontas de cigarros...
Enquanto esvoaçavam tontas ao teu redor...
Caíram no chão e tu pisaste-as com o tacão
do teu sapato...
Matas tudo à tua volta,
cheiras a morte...
O teu coração putrefacto, não bate, late,
morde, mata...

sábado, 9 de janeiro de 2010

A ilha...

Soprada entre brisas lavadas e aflitas,
no meio de um oceano, sem coordenadas...
Erguia-se como um seio perfeito,
tendo as marés como leito
e Neptuno a seus pés...
Delimitada por areais extensos,
brincando com as margens ao sabor da aragem,
entre abraços intensos e mãos deslizantes,
quando a areia e o mar são bem mais q amantes,
afastando-se e entregando-se sucessivamente,
num ritual envolvente...
Seus cabelos de palmeiras hasteadas, descaradas...
Balouçavam...
Esvoaçavam em pura liberdade,
embriagando a saudade
que o mar tinha de lhe tocar e de a consumir...
Mas a ilha não se deixava possuir...
Podia ser refugio de amor,
recompensa de conquistador,
ou repouso de viajante, errante
buscando exílio ou auxilio...
Mas nunca se permitia ser lar...

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Caixa de chocolates...

Passo a passo, momento a momento,
construímos o sonho a q chamamos vida...
Criando o nosso próprio espaço,
q afinal,
nunca nos chega a pertencer...
Nesta estupidez de se querer ser normal,
como frascos vazios em linha de montagem,
com rotulagem...
Viver deixa de ser um sonho
e passa a ser um arrendamento...
Um tic tac medonho,
que nos guia no dia-a-dia...
Manobrando as maquinas das nossas rotinas,
evitando esquinas, subidas, descidas,
que nos levam a sensações proibidas...
Refazendo dias iguais...
Repetidos, sofridos, aborrecidos,
mas normais...
Ambicionando mais,
sem coragem de mudar grande coisa...
Definhando no chão,
contemplando o céu...
Vivemos enfiados num caixote,
bolorento, pardacento,
que nos habitua ao caixão,
antes da morte...
Colados com fita cola castanha,
açaimados, vivendo um prazer de esmola,
invejando a sorte dos loucos,
na loucura que se entranha e exalta,
quando a alma salta fora desta campanha...
Envelhecemos aos poucos,
a cada segundo...
De olhos tristes, narizes caídos,
aparentemente felizes, famílias perfeitas,
em ilusões desfeitas e sonhos mordidos...
Deambulando pelo mundo, morrendo às partes,
sufocando neste coma dormente,
presos em caixas de chocolates...

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

:)

Passaros feridos...

As asas tocaram-lhe na cara, como leques... Desafiavam-na para voar uma vez mais... Aproximou-se do peitoral e tentou que os olhos não medissem a distância até ao chão, mas o chão cortejava-lhe os olhos e ela mediu cada milímetro do medo...
Todos os pássaros voavam ao seu redor. O vento das suas asas seduziam-na tanto, que se entranhava na carne, corroendo-lhe a pele, dilacerando-lhe a alma em tortura q transmitia sempre uma calma aparentemente pura...
A tormenta esconde-se onde menos se espera e nela encontrara o refugio de veludo perfeito...
Nascera com aquele ar de quem merece voar, como se o chão se enterrasse por não lhe merecer os pés.
As asas que lhe abençoavam as costas, eram a marca de agua de uma linhagem proibida que oscila entre o céu e a terra, fruto de um grande amor que nunca devia ter acontecido, mas como tantos amores improváveis, aconteceu!
Um semi-anjo com sentimentos semi-humanos...
Agora as asas da mulher-anjo temiam a queda dos homens, ou o medo dos homens castravam o voo dos anjos...
A mulher alada estava apaixonada e sabia que agora era tudo ou nada...
Ou voava, ou caía...

domingo, 3 de janeiro de 2010

Eu valso, tu valsas?

Não sei q dizer...
Só me saem reticências em cadência oca...
As palavras atropelaram-se antes de sair da boca
e agora,
tropeçadas, inanimadas e desajeitadas,
não se organizam para voltar a sair...
Os meus olhos pestanejam em código Morse para emitir mensagens,
para dizer que ainda te amo,
como te amei ontem,
como te amarei sempre...
Opto por te convidar para dançar,
mas de nada vale q a musica me embale,
se depois ficas estático...
A valsa, dança-se a dois...
A vida não se baralha ou atrapalha...
Pode não ter sentido pratico,
mas sabia o q fazia quando nos trouxe até aqui...
Mas tu teimas em fechar os olhos com força...
Ainda que a tua indiferença
me torça os braços até partir...
A vida é uma dança de salão, danças?
Ou não sabes os passos e preferes fugir?
Eu valso e tu valsas?
Conduzes tu? Conduzo eu?
Eu, já não consigo conduzir mais,
preciso de sentir q esta luta é tua e minha...
Não quero continuar a tentar dançar sozinha...
O xaile do fado não estava enganado...
És o par q eu procuro, descalça no escuro...
A vida trouxe-nos até aqui e eu já abri o baile...

sábado, 2 de janeiro de 2010

Respeito... Pois claro!

Respeito...
Que me mintas e nem te sintas culpado...
Que te vitimizes pelo mal q me fazes...
Que nem tenhas coragem de tentar fazer as pazes...
Respeito...
Que inventes desculpas esfarrapadas...
Que inventes doenças infecto-contagiosas
Que me dês cardos em vez de rosas...
Que me aborreças com recados...
Que só me procures qd algo corre mal...
Que sejas esse pãozinho sem sal,
incapaz de tomar atitudes...
Que adormeças sem pensares em mim...
Respeito...
Quando me iludes, só porque sim...
Porque estas aborrecido, entediado, enjoado...
Porque o teu clube não ganhou,
ou o puto vomitou em cima de ti...
Quando fazes de conta q gostas de mim,
porque te apetece sentires-te amado...
Se respeito?
Esse sentimento altruísta que me escortanhou o peito,
se o respeito, se me conquista?
Claro q sim!
Pago no mesmo respeito estreito,
de artigo com defeito,
q tu sentes e tens por mim...

:)

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Painel de azulejos...

Ergueram-se muros,
onde antes só haviam colinas,
cresceram da terra dos meus sonhos,
como filhos de sementes invisíveis...
Fizeram-se labirintos de esquinas,
com cantos escuros, arestas sensíveis...
Impossíveis de percorrer de olhos fechados...
Hoje os sonhos são diferentes,
menos brilhantes e ofegantes,
espreitando por frestas,
buracos,
onde só cabe um olho de cada vez...
Divagando por corredores estreitos,
que os protegem das dores...
(ou dos amores esquivos, talvez...
Mas os sonhos não foram feitos para serem cativos... )
Os nossos desejos às vezes quase atravessam as paredes...
Mas temos tanto medo...
De sofrer ante os outros, de sofrer em segredo...
De mostrar que podemos e sabemos chorar...
Ou mostrar q não sabemos...
Passamos a vida
em paredes cruéis,
enfeitadas por painéis de azulejos...
Passamos os dedos nas superfícies vidradas,
fazemos de conta que nos permitimos sonhar,
apenas porque os azulejos têm paisagens desenhadas
e os nossos desejos aprendem a contemplar...