As palavras correram como galgos numerados,
o sentido mastigado não vingava, ou convencia a ouvir...
Os olhos não se encaravam por saberem mentir...
Fugazes ilusões emprestadas, que alguém, viria um dia reclamar...
Angustias vorazes mascaradas de projectos,
que se tornaram dejectos...
Ela, já nem ouvia,
divagava,
enquanto fumava o cigarro à janela...
Ele, esbracejava no seu papel ridículo e teatral, tentando parecer natural...
Tinha ensaiado tudo lá fora,
a desculpa esfarrapada, que não desculpava nada...
Ela evitava que a cinza caísse na roupa estendida, estava surda e sem paciência,
encolhia os ombros, rendida...
Talvez fosse dormência...
Talvez fosse indiferença...
Talvez apenas mágoa...
A ladainha que ele articulava, na cozinha, entre promessas confessas de mudanças,
atravessava-a como vapor de agua,
quase sem lhe tocar...
Não havia confiança, não havia esperança, não havia nada...
Estava cansada de o perdoar...
Queria apenas que ele se calasse,
q o teatro acabasse e q ele se fosse deitar...

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