terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Prazer...

O corpo arqueava-se para trás, em abóbada perfeita,
os olhos permaneciam fechados, balouçando as órbitas
em prazer tatuado na pele…
O formigueiro no fundo das costas subia todos os degraus até
à fronteira ténue do pescoço,
e brindava de humidade aquele pequeno poço delicado
onde se toma fôlego…
As pernas tinham necessidade de tocar uma na outra,
como se um íman invisível as atraísse irremediavelmente…
A língua molhava os lábios que se tingiam,
os dentes uniam-se levemente
num prazer urgente…
A boca saboreava-se num prazer solitário
de seminário budista em reflexão pelos enigmas do mundo…
Procurando sabores novos, em recantos conhecidos,
invadidos tantas vezes, em conquistas momentâneas e sucedâneas…
As mãos em espiral,
desenhavam caminhos de remoinhos
nos cabelos desalinhados e perfumados como óleo essencial…
Flectia os joelhos, fazia força com os calcanhares,
Encontrava força na leveza que era o corpo feito quadro de beleza,
em mares de sensações aos tropeções…
Deixava que as unhas fossem penas,
desenhando pistas de caça ao tesouro,
como poemas e enigmas intrigando poetas e piratas…
Gemia, corada, sem estar envergonhada
pelo prazer que sentia
e adormecia abraçada a si mesma, exausta!

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