sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Há vida em todos os planetas...

Um dia,
quando o tempo te atravessar como linha em agulhas,
quando a vida te estiver a abandonar,
lentamente,
e tudo à tua volta te parecer diferente
e difícil de acompanhar...
Quando estiveres,
horas seguidas,
de manta sobre os joelhos,
sozinho na sala, como estão sempre os velhos,
e todos estiverem a conversar na cozinha,
(porque o avô, ou está confuso, ou está sempre a dormir...)
Quando quiseres encontrar um motivo para sorrir,
sentires-te a uso,
como colher de pau antiga, mas preferida...
Quando precisares de falar e de ouvir,
teres motivo para permanecer,
precisares de saber q continuas vivo,
porque ainda fazes
parte da vida dos outros,
que sempre foram a tua razão de viver...
Não comeces a questionar todas as escolhas,
não lamentes decisões,
não faças desse sofá na sala,
o teu muro das lamentações...
Cala a dor, amor!
Também eu, noutro lar, que não o meu,
estarei ao pé do aquecedor,
cheia de neve nos cabelos,
a enrolar novelos de lã,
sozinha...
E a minha família na cozinha,
nunca poderá imaginar que os velhotes,
tão confusos,
cometeram os seus abusos e viveram paixões fortes
e as fases da loucura que ainda perdura,
no limite, ainda permite
que sejam capazes de amar!

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