domingo, 20 de dezembro de 2009

Foi ontem...

Foi ontem...
Ao passear nas margens de mim,
entre caminhos ásperos e trilhos doces,
que percebi que já não estavas...
Minhas mãos que foram escravas,
tanto tempo,
já não deslizam nas tuas...
Deixaram de haver fases diferentes,
agora vivemos em luas separadas...
Moramos em ruas que não se encontram,
porque os cruzamentos não existem...
Os sentidos que nos pertenciam,
hoje são todos proibidos...
Procurei desesperada,
vasculhei em todo o lado,
raspando as unhas nesta lama q era chama...
As cinzas estavam geladas, molhadas
da chuva transpirada, da tua inconsciência...
Foi ontem que descobri que já não moras ali,
nos recantos da minha paciência,
nas gargalhadas desbocadas da minha euforia,
nos meus beijos atrevidos, saboreados, mordidos
oferecidos e rejeitados...
Foi ontem...
Que deixei de te chamar amor,
num desconforto indolor,
que devia ter transmitido liberdade,
do sabor a sangue, na lamina da guilhotina...
Foi ontem que te passaste a chamar saudade,
deixaste de ser presente,
apenas porque viraste aquela esquina,
deste o primeiro passo para começares a ser passado...
Foi ontem que pela primeira vez percebi
que a mulher para ser feliz,
tem de deixar de ser menina...
Que nem sempre o que se diz é aquilo que se sente...
Que a boca que se beija,
é a mesma que nos mente...
Que existe um véu de renúncia
em tudo o que se deseja...
Foi ontem que enegreci o céu da minha alegria...
Foi ontem...
Mas podia ter sido noutro dia qualquer...

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