sábado, 21 de novembro de 2009

Papel Crepe...

O rosto da mulher parecia papel crepe,
belo e alegre, apesar de amachucado...
Cada ruga representava uma história diferente,
como se guardasse o diário nos caminhos da face...
Nos olhos ainda residia a esperança de criança em noite de Natal, recebendo o presente mais desejado...
As almas às vezes são assim, permanecem jovens,
disfarçadas em corpos marcados e abraçados pelo tempo...
O sorriso sábio que às vezes lhe acetinava o lábio,
tinha a bondade de quem amou uma vida toda...
De quem respirou cada aurora, namorou cada hora,
com fúria e com alegria...
Fora tantas vezes tempestade rebelde, hoje era mar de calmaria,
os cabelos brancos longos eram ondas doces q já só queriam beijar areia e conchas...
Já não construía marés e os pés tinham aprendido a pousar mais vezes no chão...
A palma da mão escondia a sina cumprida e honrava a linha da vida que se tinha provado longa...
O colo era passeio obrigatório dos netos irrequietos...
Quando a morte a encontrasse não teria receio,
sabia q teve a sorte de viver mais vidas q a maioria dos mortais...

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