segunda-feira, 2 de novembro de 2009

O Sol queima as asas das borboletas...

A cinza caía como neve negra,
salpicando o corpo,
tingindo o cabelo,
fazendo contornos ou silhuetas cinzentas...
Ela permanecia de joelhos, no chão frio,
as mãos cobriam o rosto que era um rio...
Os soluços repetiam-se como eco,
ou pancada seca...
Talvez estivesse nua,
ou apenas fosse a sensibilidade doce à flor da pele...
O coração de trote violento, estremecia lá dentro...
O corpo brilhava-lhe como lamparina de azeite,
era enfeite da escuridão,
mas a beleza às vezes dói...
Ela sentia-se salpicada de ácido sulfúrico,
o corpo ardia-lhe de vergonha...
Tinha vontade de mergulhar-se em água a escaldar,
ate a pele ser balão de ar...
Sentia a lixeira do mundo agarrada a si, como se fosse o único aterro, ou enterro da podridão...
Queria voar para longe,
mas as asas estavam queimadas e sabia que jamais sairia dali...
Estava presa ao chão, estava condenada, estava morta, fechou-se a porta dos sonhos...
As asas já não lhe valiam de nada...

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