domingo, 8 de novembro de 2009

As asas de cartão...

A esperança caminha, escrevendo capítulos na escuridão...
Houve tempos em que a sua auto-confiança era inabalável,
agora, até os neons da noite a fazem sentir invisível,
ou frágil,
como cartão molhado depois de chover...
A maturidade não faz ninguém mais feliz,
torna-nos apenas zombis solitários,
a pisar o chão a medo,
sem nos atrevermos a correr...
Antes, só temíamos os monstros imaginários que se escondiam ao pé dos casacos nos roupeiros,
hoje temos medo de nós próprios,
porque nos tornamos cínicos e pequeninos...
Queremos ser os primeiros a concretizar alguma coisa,
apenas para estarmos a altura dos segundos lugares...
Somos livres, mas preferimos sair com coleira e trela quando vamos à rua,
para termos desculpa de não conseguirmos morder ninguém...
A confiança deixou de ser cega e passou a ser crua e insossa...
Onde deixamos as nossas asas?
Devem estar cheias de pó, as penas amassadas, as guias tortas ou até mesmo partidas...
E as nossas costas de tão vergadas, estão demasiado doridas para suportar a sua leveza...

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