domingo, 29 de novembro de 2009

Abra cada Bra...

A alma rodopiou, até cair por falta de equilíbrio...
Sentiu-se varinha magica barata,
ante uma plateia pouco credula...
Sabia que a magia nunca passara de um truque
e que um Homem nunca saberia amar uma mulher...
Para nós o q importa é a partilha,
para eles a conquista e a novidade...
Fechou novamente os sentimentos à chave,
que lhe mordiam o peito como matilha de lobos...
Sempre soube a verdade, mas uma esperança sádica
teimou em castiga-la, dando-lhe gomos de confiança...
Não, não somos capazes de ser felizes se nos permitirmos amar...
Não, não somos felizes se formos capazes...
Não, não nos permitimos ser felizes...
Não, não somos capazes de amar...
Não, não somos...

...

É bom acordar e a boca saber-nos logo a conquista!
De quando em vez, a vida prova-nos que tudo é possível!
Como diria alguém "O impossível demora apenas mais tempo!"

Hoje venho aqui dar um beijinho a todas as pessoas que um dia, num momento de loucura qualquer, acreditaram q eu era capaz!
Muito Obrigada a todos!
Esta conquista é tão minha, quanto vossa!
P.S. A.A.M. Tinhas razão!

sábado, 28 de novembro de 2009

:)

Euphoria...

As emoções fluem, como espelhos...
gritando reflexos,
chamando ilusões,
projectos que eram pó e agora ganham contornos...
A ânsia, fez-se luz e a luz fez-se concreto,
como sonho escrito nas paredes...
Nada é impossível,
porque o impossível teve vergonha de castrar os outros...
Agora, engoliu o orgulho, tornou-se crente, tornou-se fado!
Nada pode limitar as barreiras dos nossos dias,
somos orgasmos em tons de azul, gemendo lado a lado,
distribuindo prazer, distribuindo querer, fazendo acreditar!
Tudo é possível, porque somos almas eternas e doces que apenas passeiam por aqui...
O tecto dos nossos sonhos, se quisermos, se permitirmos estará sempre mais alto...
As nossas pernas, se deixarmos chegarão sempre mais longe,
alargando os passos, como gazelas em campos abertos...
Somos feitos à nossa própria imagem,
nada compromete as nossas conquistas,
somos paisagem de vistas largas...
Somos um quarto espelhado que nos reflecte e nos torna completos!

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Coreografia improvisada...

O corpo é arte em movimento,
como garças brindando em poças...
Os braços e as pernas confundem-se,
abraçando ângulos rectos q desafiam a gravidade!
A verdade nem sempre é absoluta,
quando o corpo é sonho e luta coreografando o impossível...
A beleza mora ali na linha curvilínea de cada gesto,
às vezes parece que existe um anjo invisível que lhes empresta as asas...
Mas o amor e a entrega têm destas coisas,
criam passos no espaço aberto,
como trilhos de textura cega e suave...
Se não existisse o som poderíamos sentir a musica
dentro de nós apenas pela sua partilha apaixonada...
Basta deixar a alma seguir nua,
como se acabasse de nascer,
entre paixão e pureza...
Podemos sentir o piano dentro de nós,
em cada bater de coração,
em cada tocar dos pés no chão,
o nosso corpo tem uma voz própria basta escuta-lo..

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

:)




Naku penda piya... Naku taka piya... Mpenziwe!

...

As historias de amor intemporais cantadas por poetas, dramaturgos, romancistas, são sempre as q terminam em tragédia...
Só se vive feliz para sempre nos contos infantis para, ao menos, enquanto somos pequeninos e doces, podermos acreditar que é possível...
O amor perfeito é como o pai Natal, faz-nos acreditar na magia e depois deixa-nos descobrir q essa magia tão verdadeira, só foi palpável dentro de nós...
P.S. Não me arrependo de ter acreditado tanto no pai Natal...

:)

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Os passaros de Chernobyl...

Não, não são lágrimas...
São rascunhos do meu diário que nunca escrevo...
São punhos cerrados cravejados de vidros moídos...
São cadáveres que me roem a carne, me mastigam os ossos
e me invejam o sangue...
Não, não são lágrimas...
São mãos esticadas tentando alcançar escadas de esperança...
Corpos caindo em precipícios, tilintando nas pedras...
Cordeiros de sacrifício imitando o choro de uma criança...
Pássaros de desastre nuclear q deixaram de voar,
descobrindo as penas no chão...
Não, não são lágrimas...
São mares que se tornaram campas de água,
onde as espécies marinhas se deixaram morrer de tristeza...
São rostos disformes sem olhos, nem boca, nem queixo
como manchas de impureza e crueldade...
São reflexos inversos da verdade onde me deixo adormecer...
Não, não são lagrimas
é apenas a minha alma a escorrer...

...

Não sei como, nem quando nasceu a maldade, até há bem pouco tempo nunca me tinha realmente cruzado com ela, hoje sei que durante muito tempo fui uma verdadeira privilegiada...
Será q compensa ser gratuitamente mau?
Fazer mal a quem nos quer bem?
Magoar quem confia em nós, quem acredita em nós, quem nos deseja todos os dias o melhor?
Honestamente, estas respostas espero demorar o dobro de tempo q levei a conhecer a maldade, a cruzar-me com elas...
P.S. Ola pessoas más...

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

...

Como podemos julgar conhecer as pessoas que se cruzam na nossa vida, se demoramos uma vida inteira para conseguir conhecer quem somos?
Porque perdemos tempo a desiludirmos-nos com amigos que julgávamos fantásticos e se revelam medíocres, ou até mesmo nulos, se tantas vezes somos inimigos de nós próprios?
Quem me dera morar na torre de um castelo, onde a única forma de chegar até mim, fosse através das minhas tranças, juro que passaria a usar cabelo curto!
P.S. Isto passa...

Asma...

Às vezes, as emoções parecem lesmas deixando rastos nas paredes,
ninguém lhes toca com medo, ou simplesmente por repugnância...
E as emoções ganham distância, passam do concreto ao abstrato,
como mágico asfixiando coelhos em cartolas...
Somos bolas de sabão inquebráveis,
que se moldam à medida das nossas conquistas...
Das nossas derrotas...
Pensamos que um dia, algém pode partilhar o nosso espaço,
mas as bolas só têm ar para um elemento...
Há sempre alguém q tem de optar por deixar de respirar...
Eu ja aguento o folego há tanto tempo que me esqueci como é ter os pulmões cheios...

sábado, 21 de novembro de 2009

Papel Crepe...

O rosto da mulher parecia papel crepe,
belo e alegre, apesar de amachucado...
Cada ruga representava uma história diferente,
como se guardasse o diário nos caminhos da face...
Nos olhos ainda residia a esperança de criança em noite de Natal, recebendo o presente mais desejado...
As almas às vezes são assim, permanecem jovens,
disfarçadas em corpos marcados e abraçados pelo tempo...
O sorriso sábio que às vezes lhe acetinava o lábio,
tinha a bondade de quem amou uma vida toda...
De quem respirou cada aurora, namorou cada hora,
com fúria e com alegria...
Fora tantas vezes tempestade rebelde, hoje era mar de calmaria,
os cabelos brancos longos eram ondas doces q já só queriam beijar areia e conchas...
Já não construía marés e os pés tinham aprendido a pousar mais vezes no chão...
A palma da mão escondia a sina cumprida e honrava a linha da vida que se tinha provado longa...
O colo era passeio obrigatório dos netos irrequietos...
Quando a morte a encontrasse não teria receio,
sabia q teve a sorte de viver mais vidas q a maioria dos mortais...

terça-feira, 17 de novembro de 2009

O mito dos dragões...

Quando o amor se torna o caminho,
o mundo muda as cores,
como se as flores do campo se estendessem para nos dar passagem, deitando os cales,
fazendo vénias...
O som torna-se um candeeiro de luz fraca,
entre promessas e roupa ainda quente,
tremulo,
como luz de fraca amperagem q apenas cria ambiente,
mas não permite ler...
Não se constroem frases,
porque a gramática fica esquecida...
É muito mais uma questão de linguagem gestual fluída,
que se sabe, sem aprender letras com dedos ...
Nessas alturas, somos surdos,
que sentem a linguagem nas mãos,
segredando segredos...
Somos mudos, que apenas articulam sons, às vezes nomes...
Somos cegos porque escolhemos fechar os olhos e experimentar o tacto e o gosto...
Os sentidos todos à flor da pele,
como tatuagens em alto relevo...
O corpo torna-se fogo posto,
servo dedicado,
cativo em veredas de emoções,
q não se imola nas chamas...
E brinca com as labaredas,
imitando dragões em fúria...

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

As lágrimas são de pedra...

A estátua viu o seu corpo de pedra tombar com tristeza,no chão...
Tinha sido esculpida à mão, fruto de amor e suor de um escultor apaixonado,
dedicado a tornar o seu corpo perfeito...
Agora o trabalho do homem que amou,
era destruído por ignorantes sem piedade,
que a devassavam, sem respeito...
No peito da estátua não batia um coração,
nem havia sangue que lhe colorisse as veias,
mas o seu mestre e criador tinha-lhe dado um pouco da sua alma...
Eram parte um do outro, comungando amor e arte,
eram um só...
Mas os homens não sabiam nada desse amor,
não tinham dó do escultor que podia fazer outras estátuas melhores e mais belas q aquela...
Enquanto os membros da estátua caiam por terra,
os seios se tornavam pó e pedra solta,
o escultor chorava, não sentia revolta,
mas sabia que a sua maior obra morria ali
e ele morria com ela...

domingo, 8 de novembro de 2009

:)

As asas de cartão...

A esperança caminha, escrevendo capítulos na escuridão...
Houve tempos em que a sua auto-confiança era inabalável,
agora, até os neons da noite a fazem sentir invisível,
ou frágil,
como cartão molhado depois de chover...
A maturidade não faz ninguém mais feliz,
torna-nos apenas zombis solitários,
a pisar o chão a medo,
sem nos atrevermos a correr...
Antes, só temíamos os monstros imaginários que se escondiam ao pé dos casacos nos roupeiros,
hoje temos medo de nós próprios,
porque nos tornamos cínicos e pequeninos...
Queremos ser os primeiros a concretizar alguma coisa,
apenas para estarmos a altura dos segundos lugares...
Somos livres, mas preferimos sair com coleira e trela quando vamos à rua,
para termos desculpa de não conseguirmos morder ninguém...
A confiança deixou de ser cega e passou a ser crua e insossa...
Onde deixamos as nossas asas?
Devem estar cheias de pó, as penas amassadas, as guias tortas ou até mesmo partidas...
E as nossas costas de tão vergadas, estão demasiado doridas para suportar a sua leveza...

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Alice no país, sem maravilhas...

As palavras fogem como manadas de cavalos selvagens,
de crinas soltas...
O teu silêncio é o muro que limita os nossos sonhos...
Baixei a espada, não luto mais,
já não acredito em possibilidades saídas de contos de fadas...
A Alice saiu de vez da toca mágica do coelho...
A poesia deixou de ser a nossa aliada secreta,
agora é apenas o meu carrasco...
Partes porque não te encontras,
mas sou eu quem se perde pelo caminho...
Já não tenho forças para entender,
só me resta tentar esquecer...
Fazer de conta que o príncipe e a princesa envelheceram juntos,
num conto infantil qualquer que eu não li por lapso...
E que a imortalidade do meu amor por ti,
reside ali,
nas paginas coloridas, entre castelos e dragões...

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

O Sol queima as asas das borboletas...

A cinza caía como neve negra,
salpicando o corpo,
tingindo o cabelo,
fazendo contornos ou silhuetas cinzentas...
Ela permanecia de joelhos, no chão frio,
as mãos cobriam o rosto que era um rio...
Os soluços repetiam-se como eco,
ou pancada seca...
Talvez estivesse nua,
ou apenas fosse a sensibilidade doce à flor da pele...
O coração de trote violento, estremecia lá dentro...
O corpo brilhava-lhe como lamparina de azeite,
era enfeite da escuridão,
mas a beleza às vezes dói...
Ela sentia-se salpicada de ácido sulfúrico,
o corpo ardia-lhe de vergonha...
Tinha vontade de mergulhar-se em água a escaldar,
ate a pele ser balão de ar...
Sentia a lixeira do mundo agarrada a si, como se fosse o único aterro, ou enterro da podridão...
Queria voar para longe,
mas as asas estavam queimadas e sabia que jamais sairia dali...
Estava presa ao chão, estava condenada, estava morta, fechou-se a porta dos sonhos...
As asas já não lhe valiam de nada...