quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Porque os barcos pertencem ao mar...

O tempo divaga, como flocos de neve alva a morrerem na boca,
deixando um gosto fresco e efémero de brisa molhada...
Já beijei cada pedra da calçada, do caminho secreto que me leva ao teu encontro,
às vezes fecho os olhos e deixo simplesmente que a mente me leve a esse cantinho distante
que me permite abraçar-te um instante...
Sei que o futuro é carta fechada, mas às vezes espreito por uma brecha do envelope, apenas para ver se lá estás, ou se seguimos rumos diferentes...
Penso em ti mais do que devia, mas nem sei o q é dosagem certa, nesta porta aberta da minha alma que é desejo e guerra interna...
Sinto-me calma, quando paro o relógio do tempo e te roubo um beijo...
Não quero saber se atracas em outros portos,
que são regaços...
Porque é nos meus braços que sentes o porto de abrigo...
O meu castigo é ser cais que também te vê largar...
Fosse eu sopro de ar
que te acompanhasse sempre...
Fosse eu leme,
em vez de pontão...
Fosse eu o teu mar,
onde te deixasses navegar...
Fosse eu o teu chão,
que pisasses devagar...
Fosse eu apenas céu...

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