quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Os pinceis nada sabem...

As pestanas pesavam toneladas,
os olhos eram bandidos a espreitar em brechas de janelas de cortinas corridas...
Os olhos ás vezes fogem,
como crianças a jogar às escondidas,
os dele fugiam sempre,
conheciam todos os esconderijos da alma torturada...
Ela tocou-lhe, ao de leve,
no rosto,
com a ponta dos dedos finos,
acariciou-lhe o queixo com o indicador e desenhou-lhe o lábio, com o polegar,
sempre gostou de desenhar lábios com os dedos...
Se soubesse pintar jamais usaria pincéis,
as cores gostam de ser tocadas e os traços devem começar em nós...
A voz dele teimava em encolher-se enquanto lhe admirava os sapatos involuntariamente,
tentando distrair a mente do óbvio,
ela estava ali, à sua frente...
Não adiantava esconder-se mais de si próprio,
a terra dos olhos dele nunca tinha sido habitada,
era selva virgem sem árvores, ou aborígenes inquietos...
Ela beijou-lhe cada olho,
pediu permissão para morar ali,
ele tinha medo de dizer q sim,
mas o medo de dizer q não era ainda maior...
Se virasse as costas ao amor,
para sempre,
saberia viver depois?
Os lábios dela, não esperaram mais,
procuraram os seus,
arriscaram perder-se ali,
um momento doce antes do Adeus,
uma vez q fosse, valeria a pena!

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