domingo, 4 de outubro de 2009

O sangue da rosa...

A rosa pediu-lhe q lhe tocasse,
q a levasse dali...
Ali,
era apenas, mais uma,
na multidão da inveja e da cobiça...
Queria sentir-se amada, sentir o grilhão da exclusividade, uma vez, pelo menos...
Seduziu-a, implorou-lhe atenção,
ser a derradeira tentação da vontade...
Valia a pena morrer, se o amor a tornasse imortal, de tão especial...
Ela não queria arranca-la da terra, achava q todas as flores fazem falta num jardim...
Espelham as cores da nossa alma...
Mas obedeceu-lhe e deixou q a rosa a amasse,
ela amou-a desde o primeiro momento,
era impossível resistir a tanta coragem e tormento...
Mesmo no meio de tantas outras,
aquela rosa nunca fora invisível...
Ofereceu-lhe o cetim húmido dos lábios,
a rosa tornou-se contorno...
Passeou-se ao longo da linha do pescoço como se cada pétala fosse a ponta dos dedos de alguém,
explorando território proibido a medo...
O perfume da rosa foi deixando pegadas ao longo do corpo dela,
como segredo para revelar depois,
num momento a dois...
Conheceu-a,
viajou entre montes e vales desbravando pudor,
como se ancorasse e morasse em cada poro...
Deixando marcas de lápis de cor de traço fino e preciso,
foi sorriso rasgado e abraçado,
entrelaçado entre prazer e respeito marcado no fundo profundo do peito...
Os espinhos encolhiam-se e rendiam-se,
trincando o caule com força,
para resistirem à vontade de lhe provar a carne...
Mas a rosa não controlava os espinhos, nem o desejo bruto
que sentia pela primeira vez...
O momento foi encontro e foi luto,
entre trilhos de impulso tornados sangue no pulso...
Ela era agora cascata da mesma cor,
mas era na dor dela,
q a rosa se confundia...

1 comentário:

Anónimo disse...

lindo poema