segunda-feira, 19 de outubro de 2009

A lâmina do inevitável...

Ás vezes, quando o olhar se perde no alcatrão da noite, como açoite sem razão...
Quando os lábios se selam em cola de contacto,
e a verdade se torna facto e dilacera os nossos sonhos...
Quando a espera é sede de nascente, onde só corre água salgada...
Ás vezes, quando todas as respostas procuram a resposta errada...
Quando preciso de colo e ninguém repara,
porque a chuva abençoada me lava a cara...
Quando desejo dar a minha vida a uma mãe que tenha um filho doente...
Quando um beijo tem um sabor diferente daquilo q preciso...
Quando o juízo me castra as pernas e me corta os dedos das mãos...
Quando o silêncio não me basta para calar tanta coisa cá dentro...
Ás vezes quando o cofre dos meus segredos comporta mais do q a minha alma suporta...
Quando tento e tento e tento e nada muda...
Quando nego precisar de ajuda, porque não sei depender, nem consigo aprender...
Quando entrego o meu coração e o deixam cair no chão e eu faço de conta q é inquebrável...
Ás vezes, quando o olhar se perde no alcatrão da noite, como açoite sem razão...
Quando os lábios se selam em cola de contacto,
eu percebo que a verdade é um facto incontornável...

1 comentário:

artifantasia disse...

LINDO!!!

Quem escreve assim não merece verdades incontornáveis, porque por norma, são demasiado duras nas suas máscaras de pedra.