quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Condenação suspensa...

As mãos acariciaram o vidro sentindo algum conforto, ante a solidão,
respirou em cima dele, sabia q o vidro lhe retribuiria o ar quente, como se beijo fosse...
Até o vidro conseguia ser mais ténue e doce apesar de lhe poder rasgar a carne se fosse violentado...
Fechou os olhos, engoliu em seco...
Passara tanto tempo no passado q o futuro lhe
parecia agora bairro novo com a mudança por fazer...
Andara sempre a correr à volta do mesmo carrossel de emoções
e agora sentia-se tonta, ante a esperança...
O vidro parecia-lhe agora redoma protectora, livrando-a de todo o mal,
livrando-a de todo o bem,
livrando-a de ter de enfrentar a vida assustadora...
Vivera com a sombra da morte durante 4 meses,
agora q o tumor tinha resolvido partir,
nem sabia o q sentir...
Até perdera o humor negro...
Só lhe apetecia chorar e rezar para a doença voltar...
Às vezes saber o fim não é tão estranho assim,
morrer pode ser mais fácil q viver...
O pior é o medo de ter de viver tudo outra vez,
cada dor, cada enjoo, na sombra da morte...
O ombro sentia ainda aquele peso,
tinha aceite a má sorte e agora tudo mudava uma vez mais...
E se voltasse a mudar amanha?
Ou daqui a um mês, quando fosse feliz outra vez?
Ou se nunca mais se permitisse ao atrevimento de voltar a ser feliz, sequer?
Passara tanto tempo no passado q o futuro lhe
parecia agora bairro novo com a mudança por fazer...
Mas os moveis já estavam no meio da rua,
alguém tinha de os meter novamente dentro de casa da vida...
Perdera o condão de saber quando e como iria morrer,
deixara de saber o q estava a sentir, sabia apenas q se voltara a sentir perdida.,
como as crianças pequenas q largam a mão..
De repente, olhou em frente, o olhar atravessou o vidro e pensou enquanto rezou, a si mesma...
Todos morremos num dia qualquer,
não deve haver pressa em descobrir, o dia ou a razão...

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