sexta-feira, 30 de outubro de 2009

:)

...

Saiba sempre que é especial, porque é uma obra de arte que não se repete!
Não descure o seu valor, não menospreze o seu talento, não se deixe morrer por dentro, nem se tente confundir na multidão...

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Porque os barcos pertencem ao mar...

O tempo divaga, como flocos de neve alva a morrerem na boca,
deixando um gosto fresco e efémero de brisa molhada...
Já beijei cada pedra da calçada, do caminho secreto que me leva ao teu encontro,
às vezes fecho os olhos e deixo simplesmente que a mente me leve a esse cantinho distante
que me permite abraçar-te um instante...
Sei que o futuro é carta fechada, mas às vezes espreito por uma brecha do envelope, apenas para ver se lá estás, ou se seguimos rumos diferentes...
Penso em ti mais do que devia, mas nem sei o q é dosagem certa, nesta porta aberta da minha alma que é desejo e guerra interna...
Sinto-me calma, quando paro o relógio do tempo e te roubo um beijo...
Não quero saber se atracas em outros portos,
que são regaços...
Porque é nos meus braços que sentes o porto de abrigo...
O meu castigo é ser cais que também te vê largar...
Fosse eu sopro de ar
que te acompanhasse sempre...
Fosse eu leme,
em vez de pontão...
Fosse eu o teu mar,
onde te deixasses navegar...
Fosse eu o teu chão,
que pisasses devagar...
Fosse eu apenas céu...

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

:)

La rêveuse folle...

Mon pied part sans mon âme,
sans mes rêves,
sans l'espoir de chaque nouveau jour...
J'attends de rencontrer le chemin...
Toutes les lumiéres se sont fatiguées de sentiments faibles,
oubliés par les hommes...
Les hommes ne savent rien...
Quelques fois, je me sens toute seule...
Je me sens la derniére rêveuse,
une folle triste,
qui croit que l'amour existe...
Je porte mon coeur à la main,
mais quelqu'un le tue à la rue,
sans peur, jusqu'à l'horreur...
Mon pied part, tu restes lá...
Pour toi, je n'importe pas...
Au revoir...
Peut-être tu ne me verras jamais...
Mais, tu ne me manqueras pas,
Tu m'oublieras tout suite,
tu m'oublies déjà...
Je m'en vais...
Au revoir...

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Braços de braille...

Como sombras e silhuetas esguias,
em rua velha de pedras gastas, delimitadas por despojos de beatas amassadas...
Quando os ecos dos becos se calam e o silencio assusta e incomoda,
como viúva a carpir o marido que sempre odiou...
São vultos desconhecidos que mais parecem fantasmas perdidos,
a partilhar sonhos medonhos graduados em químicos misturados com limão...
Fecham os olhos, abrem a boca que cheira a morte em esgoto seco,
atiram a cabeça para trás e a viagem começa,
ali no chão imundo do beco...
Já esqueceram como começou aquela procura de loucura empenhada que pagam com a alma,
os braços estão em braille, porque estão cegos...
Cristos em cruzes de pregos, por opção,
mostram a ironia crua e fria, a morte nunca foi salvação...
Seres da noite, deambulam como vampiros doentes,
dependentes da dor, alma esfaqueada, que perdeu o valor...
A maior parte deles já morreu e nem sequer deu por nada...
Fazem parte das pedras gastas da calçada,
mas não são chão de ninguém...

:)

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

...

Ninguém é perfeito, mas apesar de todas as nossas imperfeições merecemos ser amados, sem q nos tentem mudar a todo o custo… Queremos q olhem para nós, vejam o lado bom e o achem fantástico e vejam o nosso lado mau e o achem aceitável… A vida também não é perfeita, tal como nós tem defeitos… Aprenda a ama-la como deseja q o amem a si, admirando o lado fantástico e aceitando o lado lunar, esperando q passe o quarto minguante e regresse a lua nova!

Não.

Não.
Não vou voltar a cometer os mesmos erros...
Não vou voltar a percorrer caminhos repetidos e sofridos que só me cansam as pernas...
Não vou voltar a meter-me no teu lugar,
porque o meu lugar tb precisa de mim...
Não vou voltar a perdoar porque erras sem querer, quando podes parar de errar...
Não vou preocupar-me contigo quando me fazes porto de abrigo
e a seguir partes sem olhar para mim...
Não vou voltar a estar por perto,
porque tu estás sempre longe
e habituei-me à distancia...
Hoje, sei que em todo este tempo,
nunca disseste a verdade,
ainda q acreditasses q sim...
Não, nunca gostaste de mim,
querias-me por perto
porque te sabia bem,
o frenesim...
És viciado em ser amado...
Não...
Não vou voltar,
mas tu vais continuar a sentir pena de ti,
a achar q és inocente,
q o mal esta em mim,
q não te amei o suficiente...
Encontrarás mil desculpas para as tuas culpas..
Mas eu não vou lá estar,
para me puderes acusar...
Não...
Não posso continuar...

A lâmina do inevitável...

Ás vezes, quando o olhar se perde no alcatrão da noite, como açoite sem razão...
Quando os lábios se selam em cola de contacto,
e a verdade se torna facto e dilacera os nossos sonhos...
Quando a espera é sede de nascente, onde só corre água salgada...
Ás vezes, quando todas as respostas procuram a resposta errada...
Quando preciso de colo e ninguém repara,
porque a chuva abençoada me lava a cara...
Quando desejo dar a minha vida a uma mãe que tenha um filho doente...
Quando um beijo tem um sabor diferente daquilo q preciso...
Quando o juízo me castra as pernas e me corta os dedos das mãos...
Quando o silêncio não me basta para calar tanta coisa cá dentro...
Ás vezes quando o cofre dos meus segredos comporta mais do q a minha alma suporta...
Quando tento e tento e tento e nada muda...
Quando nego precisar de ajuda, porque não sei depender, nem consigo aprender...
Quando entrego o meu coração e o deixam cair no chão e eu faço de conta q é inquebrável...
Ás vezes, quando o olhar se perde no alcatrão da noite, como açoite sem razão...
Quando os lábios se selam em cola de contacto,
eu percebo que a verdade é um facto incontornável...

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Os pinceis nada sabem...

As pestanas pesavam toneladas,
os olhos eram bandidos a espreitar em brechas de janelas de cortinas corridas...
Os olhos ás vezes fogem,
como crianças a jogar às escondidas,
os dele fugiam sempre,
conheciam todos os esconderijos da alma torturada...
Ela tocou-lhe, ao de leve,
no rosto,
com a ponta dos dedos finos,
acariciou-lhe o queixo com o indicador e desenhou-lhe o lábio, com o polegar,
sempre gostou de desenhar lábios com os dedos...
Se soubesse pintar jamais usaria pincéis,
as cores gostam de ser tocadas e os traços devem começar em nós...
A voz dele teimava em encolher-se enquanto lhe admirava os sapatos involuntariamente,
tentando distrair a mente do óbvio,
ela estava ali, à sua frente...
Não adiantava esconder-se mais de si próprio,
a terra dos olhos dele nunca tinha sido habitada,
era selva virgem sem árvores, ou aborígenes inquietos...
Ela beijou-lhe cada olho,
pediu permissão para morar ali,
ele tinha medo de dizer q sim,
mas o medo de dizer q não era ainda maior...
Se virasse as costas ao amor,
para sempre,
saberia viver depois?
Os lábios dela, não esperaram mais,
procuraram os seus,
arriscaram perder-se ali,
um momento doce antes do Adeus,
uma vez q fosse, valeria a pena!

terça-feira, 13 de outubro de 2009

...

Somos eternos insatisfeitos... Queremos sempre mais, por isso damos tão pouco valor ao muito q temos... A vida enfeita-se para nós, pisca-nos o olho, acena-nos com ar atrevido e nós teimamos em não reparar... Estamos sempre distraidos a comer migalhas, às escondidas, sem vermos o pão, ali, à nossa frente... Porque desconsideramos tanto os ratos, se passamos a vida a tentar ser, como eles?

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

O homem do fraque...

E se, finalmente, as dívidas fossem cobradas?

Apagou-se o archote quente...
As cores desmaiaram, tornaram-se lívidas...
A Natureza deixou-se morrer, cansada...
O horizonte desapareceu e os risos das crianças calaram-se,
fartaram-se de ser ignorados,
ante outros interesses, desinteressantes...
Só se ouvem choros,
como coros de igreja herege,
onde o cinismo sobeja
em ladainhas enervantes de beatas cínicas com olhares demoníacos e assustadores,
vestidas de bege
e padres pedantes e violadores das leis do céu...
Caiu o véu, os anjos viraram-nos as costas...
Os agiotas cessaram as apostas,
Deus perdeu...
Morreu...
Foi pai benevolente,
hoje esta consciente q de qd em vez,
nos devia ter dado um açoite.
Cansou-se,
de nos ouvir à noite a pedir para sermos ricos,
em vez de pedirmos para sermos melhores,
de lhe devermos favores nunca saldados,
ou respeitados...
De o acusarmos de não nos fazer mais felizes,
quando a felicidade é uma opção nossa...
Tanta ingratidão, por fim fez mossa...
Agora, ele já não mora mais aqui,
cansou-se de nós,
filhos ingratos e chatos...
Eu agarrei-me aos pés dele...
Implorei-lhe q ficasse...
Não adiantou de nada...
Ele nem olhou para mim...
Também o desiludi tantas vezes...
Sempre pedi que alguém me amasse
e ele amou-me todos os dias,
mas eu achei pouco...
Partiu a chorar pela nossa sorte,
loucos, tontos.
condenados à morte a darmos valor a tudo,
menos ao amor...
Estava farto...
Farto do cheiro da miséria,
Farto de ser o culpado de tudo,
num mundo q não pensa em mais ninguém
e só lhe pede recompensa...

terça-feira, 6 de outubro de 2009

...

Às vezes, quanto mais falamos, quanto mais tentamos chegar a alguém, mais tijolos de barro erguemos...

Dentes brancos cravados no tronco....

O tronco da figueira era irregular,
cada nó, de madeira centenária,
servira de açaime a todos os castigados q a tinham abraçado, sem forças...
Escorregando por ela como invertebrados cansados,
entoando uma ária de ópera mórbida qualquer,
entre graves, agudos e urros de animal...
Nunca perguntaram à árvore se assentia em ser carrasco passivo,
serviam-se do seu corpo como quem se serve de uma mulher e nem lhe pergunta o nome...
A árvore assistia, dia após dia, chorando folhas e sentindo a dor dos condenados...
Cruzavam as mãos deles, por trás dela,
em corda de sisal,
deixando-lhes as costas descobertas para receberem as feridas abertas...
Os corpos eram da cor da noite, mas vestiam-se de magma,
como vulcão em erupção, enquanto o chicote dançava...
As lágrimas regavam-lhe as raízes como aguaceiros infelizes...
Alguns caiam de joelhos, como padres velhos a rezar, sem acreditar em nada....
Outros,aguentavam de pé,
eram crentes...
Acreditavam num Deus q os fizeram de côr diferente...
Recebiam o castigo, sem odiar,
sentindo o sangue a escorrer pelas costas abaixo até às pernas arqueadas,
fazendo força nos dedos dos pés e rangendo os dentes,
mais brancos que os dos senhores,
q eram os donos dos escravos...
Esses tinham fé e não costumavam morrer abraçados à árvore,
que tremia com eles,
q sofria e chorava com eles,
q pedia com eles,
dia após dia,
noite após noite,
que terminasse o açoite...
Que se cansasse o braço branco do chicote q odiava a cor da noite...

domingo, 4 de outubro de 2009

O sangue da rosa...

A rosa pediu-lhe q lhe tocasse,
q a levasse dali...
Ali,
era apenas, mais uma,
na multidão da inveja e da cobiça...
Queria sentir-se amada, sentir o grilhão da exclusividade, uma vez, pelo menos...
Seduziu-a, implorou-lhe atenção,
ser a derradeira tentação da vontade...
Valia a pena morrer, se o amor a tornasse imortal, de tão especial...
Ela não queria arranca-la da terra, achava q todas as flores fazem falta num jardim...
Espelham as cores da nossa alma...
Mas obedeceu-lhe e deixou q a rosa a amasse,
ela amou-a desde o primeiro momento,
era impossível resistir a tanta coragem e tormento...
Mesmo no meio de tantas outras,
aquela rosa nunca fora invisível...
Ofereceu-lhe o cetim húmido dos lábios,
a rosa tornou-se contorno...
Passeou-se ao longo da linha do pescoço como se cada pétala fosse a ponta dos dedos de alguém,
explorando território proibido a medo...
O perfume da rosa foi deixando pegadas ao longo do corpo dela,
como segredo para revelar depois,
num momento a dois...
Conheceu-a,
viajou entre montes e vales desbravando pudor,
como se ancorasse e morasse em cada poro...
Deixando marcas de lápis de cor de traço fino e preciso,
foi sorriso rasgado e abraçado,
entrelaçado entre prazer e respeito marcado no fundo profundo do peito...
Os espinhos encolhiam-se e rendiam-se,
trincando o caule com força,
para resistirem à vontade de lhe provar a carne...
Mas a rosa não controlava os espinhos, nem o desejo bruto
que sentia pela primeira vez...
O momento foi encontro e foi luto,
entre trilhos de impulso tornados sangue no pulso...
Ela era agora cascata da mesma cor,
mas era na dor dela,
q a rosa se confundia...

:)

sábado, 3 de outubro de 2009

Brancas...

Os olhos tentavam, em vão, conseguir identificar as moedas na carteira,
começou a respirar mais depressa,
sentiu-se impotente e confusa...
Não percebia o valor de cada moeda na mão,
atirou a carteira ao chão assustada e começou a chorar...
A rapariga q a atendia percebeu,
mas fingiu não entender o q se estava a passar...
Não a quis enervar mais, nem humilhar...
Apanhou a carteira do chão e contou-lhe as moedas devagar,
evitando-lhe o olhar...
Ela sentia-se tão envergonhada, por estar a chorar...
Toda ela tremia,
o terror de esquecer o nome,
a sua historia de vida,
a identidade
e o amor que tinha a toda a gente que lhe era querida...
Se acordasse amanha e tudo lhe fosse estranho?
Estaria a acontecer?
Estaria a perder a memória?
Sabia q estava doente e a idade avançada não a ajudava...
O coração ardia-lhe como estanho em brasa...
E se nem soubesse voltar para casa?
A rapariga saiu de trás do balcão
e meteu-lhe com calma, o troco na mão...
De repente começou a lembrar-se do valor justo de cada moeda...
Respirou fundo...
Fora só um susto?
Um momento de terror?
Um segundo de aflição?
O q interessa é q ja passou...

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

...

Há dias bons e dias menos bons…
Mas quais pesam mais na sua vida?
Aprenda a construir dentro de si uma balança inteligente, sempre que tiver um dia menos bom, meta no outro prato todos os dias bons q já teve o privilégio de viver!
(Sim é batota, xiu., mas vida é sua, pode ser você a fazer as regras, desta vez!)

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Condenação suspensa...

As mãos acariciaram o vidro sentindo algum conforto, ante a solidão,
respirou em cima dele, sabia q o vidro lhe retribuiria o ar quente, como se beijo fosse...
Até o vidro conseguia ser mais ténue e doce apesar de lhe poder rasgar a carne se fosse violentado...
Fechou os olhos, engoliu em seco...
Passara tanto tempo no passado q o futuro lhe
parecia agora bairro novo com a mudança por fazer...
Andara sempre a correr à volta do mesmo carrossel de emoções
e agora sentia-se tonta, ante a esperança...
O vidro parecia-lhe agora redoma protectora, livrando-a de todo o mal,
livrando-a de todo o bem,
livrando-a de ter de enfrentar a vida assustadora...
Vivera com a sombra da morte durante 4 meses,
agora q o tumor tinha resolvido partir,
nem sabia o q sentir...
Até perdera o humor negro...
Só lhe apetecia chorar e rezar para a doença voltar...
Às vezes saber o fim não é tão estranho assim,
morrer pode ser mais fácil q viver...
O pior é o medo de ter de viver tudo outra vez,
cada dor, cada enjoo, na sombra da morte...
O ombro sentia ainda aquele peso,
tinha aceite a má sorte e agora tudo mudava uma vez mais...
E se voltasse a mudar amanha?
Ou daqui a um mês, quando fosse feliz outra vez?
Ou se nunca mais se permitisse ao atrevimento de voltar a ser feliz, sequer?
Passara tanto tempo no passado q o futuro lhe
parecia agora bairro novo com a mudança por fazer...
Mas os moveis já estavam no meio da rua,
alguém tinha de os meter novamente dentro de casa da vida...
Perdera o condão de saber quando e como iria morrer,
deixara de saber o q estava a sentir, sabia apenas q se voltara a sentir perdida.,
como as crianças pequenas q largam a mão..
De repente, olhou em frente, o olhar atravessou o vidro e pensou enquanto rezou, a si mesma...
Todos morremos num dia qualquer,
não deve haver pressa em descobrir, o dia ou a razão...