quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Quadros de dedos mel...

Os olhos beberam-se cheios de sede,
como se fosse possível morarem no fundo do brilho da íris...
As bocas calaram-se,
mas ardiam,
num silencio que diz tudo em gestos...
Onde as palavras são adornos supérfluos,
como colares ou sete escravas de latão,
sem valor chamando a atenção como chocalhos provocantes...
As línguas tocaram-se,
saciando a urgência dos lábios sugados e violentados,
em desejos de beijos sucessivos e lascivos...
As pernas flectiam-se insinuantes,
enquanto a mão as separava ao centro,
as nossas mãos sabem amar-nos como ninguém...
A mão dele invejou aquele amor solitário,
(quase celibatário, até...)
e os dedos de ambos confundiram-se em caricias e consolos desgarrando prazer à vez...
A rigidez que se adivinhava,
quase doía,
corrompendo a roupa,
os seios dela apontavam o céu da boca dele, pedindo atenção,
enquanto as pernas se tornavam braços,
em abraços de cintura, galgando altura...
As mãos perdiam-se entre explorações de pele,
mas os dedos pareciam ter mel que apetecia lamber,
o prazer tem vários sabores...
Os sons ecoavam como paletas de cores,
ora suaves, ora intensos,
nos toques dedilhados como gaitas de foles...
Os corpos perdidos, em gemidos ritmados, confundiam-se e consumiam-se...
Nessa hora, não existe mundo lá fora...
Apenas, momento, sentimento e aurora...
Mas o mundo lá fora existe e o amor desiste...
Acorda amor, estavas a sonhar...
acorda amor, chegou a tua hora, tens de acordar.

1 comentário:

Sérgio disse...

Sua marota! A tua poesia é soberba! Este poema é uma das valiosas gotas de um caudal esplendoroso ... parabéns!