sexta-feira, 25 de setembro de 2009

O menino pobre...

O menino pobre…
O giz branco riscava o alcatrão,
em traços precisos de obra de arte,
os olhos marejados de lágrimas, em jeito de fé sombria,
fechavam-se, de vez em quando, para encontrar a inspiração, que lhe permitissem exprimir a devoção,
à imagem, da virgem Maria...
Queria produzir a foto, em todo o seu esplendor, num gesto puro de amor,
transformando a velha estrada numa linda tela improvisada...
Rezava, enquanto desenhava
de joelhos vincados no chão,
as calças velhas sujas, manchadas de pó de varias cores...
Não tinha dinheiro para velas,
mas desenhara flores, no regaço da virgem...
Os dedos esfolados de fazer os sombreados que davam a expressão ao desenho...
Tanta fé e tanto empenho no traço...
Não pedia nada para si, pedia pelo mundo,
em cada carinho profundo que fazia no quadro de giz...
Pediu, pelas crianças sem mãe, que já nem tinham esperanças...
Pelos doentes que sofriam em camas sem ninguém que lhes segurasse na mão,
pedia pelo idoso que comia caldo sem pão e morria de frio...
Não pediu nada para si, só pediu por eles, por mim e por ti...
Haviam pessoas que passavam e procuravam nas carteiras as moedas mais mesquinhas...
As suas preces verdadeiras também não as esqueciam, enquanto terminava a obra de arte,
pedia para que nunca morressem sozinhas, as pessoas caridosas…
Pedia, enquanto enchia o chão da virgem de rosas, raspando os dedos no chão,
usando o sangue e o pó de giz para colorir o alcatrão...

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