sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Mais velhos q os trapos...

Por favor Meu Deus leva-me...
Não te esqueças de mim, aqui...
Os meus olhos são órbitas cansadas e pesadas, que já nem conseguem fixar as linhas do rosto...
Dizem q estou louca, porque troco os nomes,
porque peço para me deixarem morrer ...
Infelizmente ainda percebo tudo o q me estão a fazer...
Vejo a minha dignidade a escorrer pelo canto da boca, juntamente com a sopa azeda...
As mãos e os pés amarrados à cama de lençóis encardidos...
(acho que nunca me fizeram a cama de lavado,
gostava tanto do aroma do sabão na roupa de cama, da goma da roupa passada a ferro, imaculada...)
Se me pudesse levantar ficaria uma hora debaixo do chuveiro,
para libertar-me do cheiro da fralda que me serve de colo há dois dias...
Tenho o corpo cheio de feridas por estar sempre nesta posição, se ao menos me deitassem de lado, de quando em vez...
Quem me dera perder a lucidez...
A minha boca é deserto onde a agua não corre há dias, nem consigo falar...
Ás vezes as moscas pousam nos meus olhos durante minutos que me parecem horas e eu nem as consigo enxotar...
Comem os restos de sopa azeda seca que me fica no queixo,
eu nem pestanejo,
deixo-as ficar e faço de conta que já morri...
Por favor Meu Deus leva-me...
Não te esqueças de mim, aqui...
Ou então lembra os meus filhos,
para me virem buscar,
eu prometo não estorvar...
Eu prometo morrer o mais depressa q puder...

1 comentário:

Anónimo disse...

Simplesmente excelente...doi o detalhe