quarta-feira, 30 de setembro de 2009

:)

...

Muitas vezes desconhecemos os benefícios de dar, dar algo de nós aos outros, desinteressadamente, sem contra-partidas. Não falo de dar um carinho a alguém que nos é próximo, ou uma palavra de conforto a quem conhecemos bem, isso chama-se partilha, é um altruísmo diferente, louvável mas que existe, ou deve existir, na reciprocidade das relações. Falo de dar a quem não conhecemos, a alguém que não tornaremos a ver, não falo de esmolas, não falo de caridades, que nos compram lugares no céu dos crentes, falo de dar sem receber, sem recompensa imediata ou tardia. Coisas simples, sem sacrifícios, sem reconhecimento por parte dos outros, apenas dar...
O lugar no autocarro, uma boleia de chapéu de chuva, dois dedos de conversa a um desconhecido só porque esta vestido de negro e tem um ar triste, um lenço a alguem que espirra, um bom dia a alguém que se cruza consigo no meio da rua... Experimente, descobrirá que dar-se aos outros, assim e só porque sim, pode ser uma das melhores sensações do mundo!

Utopia...

Um dia, as crianças serão felizes e será respeitada a sua sabedoria...
Um dia, os animais não terão de se esconder para poderem sobreviver...
Um dia, a flor não será arrancada da vida pela sua beleza invejada e perdida...
Um dia, amar será suficiente!
Um dia, tudo será diferente e o sofrimento perderá o sentido...
Um dia, a cor deixará de ser barreira ao amor...
Um dia, não haverá diferença ou sinónimo...
Não existirá pecado cometido ou apontado...
Um dia Deus será anónimo e terá em todos nós a mesma crença....
Um dia que poderia começar hoje...
Se não estivéssemos demasiado ocupados,
a correr para os Supermercados!

Desejo a Marte, tão perto…

Perdi-me em constelações perfeitas em
harmonia!
Planetas distantes, com vidas diferentes e provavelmente, nas suas regras sufocantes, inabitáveis para mim...
(Eu sempre fui assim, sempre corri, quando era suposto ficar...)
Deambulei pelo espaço infinito em busca de respostas que nunca chegaram e cujas perguntas deixaram de ser pertinentes...
Perdi-me, em brilhos e rastos de estrelas cadentes,
em satélites e vias lácteas ou vinícolas...
Beijei o chão de Marte e nem por isso me faltou o fôlego para amar-te...
Andei por universos paralelos onde a força de um grito tem o peso da água pura que se escapa entre os dedos...
Nada me confortou, nada calou esta procura de infinito...
As asas repousam, feridas, escondidas...
Talvez nunca voltem a superar os medos...
Talvez nunca mais voltem a voar...

...

Há momentos em que por mais q custe, por mais q retalhe o nosso orgulho, por mais q contrarie a nossa teimosia (pois tantas vezes é mesmo a teimosia que nos mantém…) temos de ser corajosos o suficiente para atirarmos a toalha ao chão.
Quando não há solução, devemos aprender a desistir e construir de novo a boneca de barro da nossa vida que está partida pelo pés.
Recomeçar exige muito mais coragem, talento e determinação do que teimar em esmurrar portas fechadas…

Degraus...

O olhar caiu no chão, como chumbo,
o lábio mordeu-se e o pensamento divagou...
Uma vez mais o pretexto fora de contexto mostrava-lhe o caminho...
Tantas vezes a mesma encruzilhada,
estava farta de conhecer sempre a mesma estrada sem saída,
estava dorida, farta de lamber pó...
Estava só, vazia, já nem doía...
Apenas a desilusão q se sucedia em peças caídas de dominó, constantemente...
Estava dormente...
Farta de correr atrás de fantasmas que atravessam paredes...
Queria esquecer, passar à frente...
O amor não magoa, perdoa...
Ele precisava de a magoar para se sentir amado,
não sabia amar e ela estava cansada demais para o ensinar...
O corpo magoado já não podia aguentar mais, paciência...
Não podia continuar a ser mera escada de emergência,
ora a subir, ora a descer...

domingo, 27 de setembro de 2009

Parabéns ao novo partido "Eu não voto porque não quero, escolhe tu" q obteve 39.4%

Gostos não se discutem...
Mas, há quem nem os tenha sequer, afinal até ter preferência dá imenso trabalho...
Uma vez mais, o nível de abstenção foi vergonhoso, num país que se pode dar ao luxo de escolher os seus governantes (sim, eu sei q nem sempre as opções são brilhantes...), venceu o "eu não voto pq não quero, escolhe tu!"...
Parece-me bem, afinal eu já desconto para quem não desconta, já trabalho por quem não trabalha, tb posso votar por quem não vota!
Não me parceria mal se entregassem esse poder (ah, não sabiam? o voto é um poder q nos foi atribuído, há custa da vida de alguns "malucos" q acharam q devíamos ser nós a decidir e arriscaram o couro para nos dar essa possibilidade...) aos "imbecis q votam", como eu, faça chuva ou faça sol e aceitassem de cara alegre as nossas opções mas, nãoooooooooooo....
O movimento "eu não voto porque não quero, escolhe tu" é muito mais requintado, não vota, mas depois diz, votam sempre nesses patifes... LOL
Pq não são ousados, arrojados ao extremo e iniciam um novo movimento?
"Eu não voto porque não quero, vota tu, mas eu digo-te em qual"...
Enfim tuguices!

sábado, 26 de setembro de 2009

:)

Mpenziwe...

A brisa já não dorme aqui,
as lajes de pedra, hoje são sonhos,
amanha talvez voltem a ser pedra, talvez tesoura, talvez papel, como jogo de força...
As palavras q moram em ti são ondas, ora vêm, ora vão...
Queria ser cordel que amarrasse os momentos em q somos efemeramente felizes...
Os segundos em q o sonho quase toca a tua pele e descobre os segredos q lá moram...
Mas a felicidade sempre foi senhora do seu nariz e nunca gostou de cordéis...
E eu sempre achei q os anéis me castravam os dedos...
Ás vezes, à noite,
quando os violinos choram poemas pequeninos,
de historias de amor inacabadas,
eu revejo este tormento de sina menina e marota...
Porque se cruza o caminho quando o passo já não tem espaço de manobra?
Porque nos cai no colo a felicidade a rir as gargalhadas,
quando sabemos q temos de lhe pedir para falar baixinho?
Preferia q fossem lagoas as tuas palavras, mas escolheram ser ondas...
Ás vezes trazes areia revolta nesse corpo à solta e sabes q me magoas...
És mão na minha mão,
tão cheia de segredos e de medos de ser feliz...
A paixão pode ser assustadora, de tão devoradora,
mas também se rende e aprende...
A brisa já não dorme aqui, deitou-se ao pé de ti desta vez...
Mas o tempo não perdoa, voa tão depressa...
Em breve,
o destino deve morrer na praia das tuas palavras,
cansado de corpo magoado, de nadar...
Chegarás a tempo de o salvar?

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

...

Quem ama não precisa de receber, mas tem de dar...
Quem ama não cobra, mas sente a necessidade de se justificar quando erra...
Quem ama deixa de viver em si e passa a morar no outro e assim, às vezes, passa a ser casa desabitada...
Se quem ama for amado, por quem ama, tudo faz sentido e o amor de ambos é alimento de renovação constante! Ninguem sofre, ninguem fica sem colo...
Mas, às vezes, atrevemos-nos a amar sozinhos...
Por uns tempos o amor, que é corajoso e forte, subsiste alimentando-se de si próprio, vivendo e respirando o ser amado.
Mas, ao longo dos tempos, percebemos que é a nossa casa q vive sem telhas...
Sem ninguém que nos abra as janelas para arejar...
Sem ninguém q nos cuide do soalho...
Quem merece viver em ruínas?
Ame tudo o q puder, mas não se esqueça de si...

:)

...

Todos nós temos uma concha invisível q nos protege dos outros, do sofrimento, do mundo lá fora... Essa barreira invisível vai-se ganhando com o tempo e consiste, no fundo, numa espécie de filtro q impede as nossas emoções de escorrerem desenfreadas para fora, mas também impede q as emoções dos outros nos afectem mais do q o necessário... Por vezes, a vida prega-nos partidas e a concha abre-se, ou porque estamos mais felizes e as defesas baixam, ou porque estamos mais tristes e as defesas mais frágeis...Sim, por vezes, a concha racha...
Quando isso acontece, muitas vezes choramos, muitas vezes sofremos mas, ao fim de contas, viver é isso mesmo, nem sempre é fácil, nem sempre é doce, às vezes dói, mas vale sempre a pena arriscar pelas coisas maravilhosas q também nos oferta, de quando em vez!
Para o mal, ou para o bem, permita-se ter pequenas rachas na sua concha, em princípio só se vive uma vez, se viver mais vidas melhor, mas não se vai lembrar desta nem a vai repetir de certeza!

O menino pobre...

O menino pobre…
O giz branco riscava o alcatrão,
em traços precisos de obra de arte,
os olhos marejados de lágrimas, em jeito de fé sombria,
fechavam-se, de vez em quando, para encontrar a inspiração, que lhe permitissem exprimir a devoção,
à imagem, da virgem Maria...
Queria produzir a foto, em todo o seu esplendor, num gesto puro de amor,
transformando a velha estrada numa linda tela improvisada...
Rezava, enquanto desenhava
de joelhos vincados no chão,
as calças velhas sujas, manchadas de pó de varias cores...
Não tinha dinheiro para velas,
mas desenhara flores, no regaço da virgem...
Os dedos esfolados de fazer os sombreados que davam a expressão ao desenho...
Tanta fé e tanto empenho no traço...
Não pedia nada para si, pedia pelo mundo,
em cada carinho profundo que fazia no quadro de giz...
Pediu, pelas crianças sem mãe, que já nem tinham esperanças...
Pelos doentes que sofriam em camas sem ninguém que lhes segurasse na mão,
pedia pelo idoso que comia caldo sem pão e morria de frio...
Não pediu nada para si, só pediu por eles, por mim e por ti...
Haviam pessoas que passavam e procuravam nas carteiras as moedas mais mesquinhas...
As suas preces verdadeiras também não as esqueciam, enquanto terminava a obra de arte,
pedia para que nunca morressem sozinhas, as pessoas caridosas…
Pedia, enquanto enchia o chão da virgem de rosas, raspando os dedos no chão,
usando o sangue e o pó de giz para colorir o alcatrão...

O pecado das ostras...

Vivo nos impérios distantes dos teus gemidos...
Os meus lábios escaldam em promessas,
perdidas e atropeladas sucessivamente,
por desejos sepultados e renascidos...
Perco-me em viagens proibidas,
onde a tua mão serve de trampolim e me salva do chão...
Fazes parte de mim!
Pele da minha pele,
meu iman de gelo e mel
que me percorre em iões selvagens...
percursos de dedos e língua,
em fragmentos de sonho e de gosto...
Os segredos abrem-se como ostras q desejam sentir a brisa no rosto de gelatina,
(nem as ostras gostam de ficar à mingua do sol do teu cheiro...)
Vivo na linha de agua dos teus beijos,
na iris profunda do teu olhar,
no gosto da tua lingua quente,
na impetuosidade dos desejos que às vezes te transtornam e embaraçam...
Vivo na verdade de cada gesto,
em cada acordar de sesta, ou sono de justiça,
em cada gargalhar de conquista...
Vivo na impaciência de cada segundo,
e no demorar de cada hora...
Na angustia e na paciência...
Sou o teu mundo aqui tão perto,
(as vezes sobrepovoado,
as vezes deserto e desconsolado...)
Aqui, ou lá longe...
Somos apenas, almas pequenas presas em ostras de pecados,
a ser felizes aos bocados...
No meu agora, no teu depois......
Vivo em ti... Vivo pois!

...

É difícil e arriscado amar... É muito mais fácil sermos amados do q nos disponibilizarmos a amar, exige entrega, espírito de sacrifício, exige dedicação... Muitas vezes cobramos dos outros aquilo que nós próprios não produzimos, por preguiça, comodismo, desinteresse e/ou simplesmente por medo... Apenas o amor nos pode tornar felizes e completos, o amor é o único milagre q está ao alcance de todos nós e q podemos realizar todos os dias!

Mais velhos q os trapos...

Por favor Meu Deus leva-me...
Não te esqueças de mim, aqui...
Os meus olhos são órbitas cansadas e pesadas, que já nem conseguem fixar as linhas do rosto...
Dizem q estou louca, porque troco os nomes,
porque peço para me deixarem morrer ...
Infelizmente ainda percebo tudo o q me estão a fazer...
Vejo a minha dignidade a escorrer pelo canto da boca, juntamente com a sopa azeda...
As mãos e os pés amarrados à cama de lençóis encardidos...
(acho que nunca me fizeram a cama de lavado,
gostava tanto do aroma do sabão na roupa de cama, da goma da roupa passada a ferro, imaculada...)
Se me pudesse levantar ficaria uma hora debaixo do chuveiro,
para libertar-me do cheiro da fralda que me serve de colo há dois dias...
Tenho o corpo cheio de feridas por estar sempre nesta posição, se ao menos me deitassem de lado, de quando em vez...
Quem me dera perder a lucidez...
A minha boca é deserto onde a agua não corre há dias, nem consigo falar...
Ás vezes as moscas pousam nos meus olhos durante minutos que me parecem horas e eu nem as consigo enxotar...
Comem os restos de sopa azeda seca que me fica no queixo,
eu nem pestanejo,
deixo-as ficar e faço de conta que já morri...
Por favor Meu Deus leva-me...
Não te esqueças de mim, aqui...
Ou então lembra os meus filhos,
para me virem buscar,
eu prometo não estorvar...
Eu prometo morrer o mais depressa q puder...

Galeões perdidos...

Hoje, deitei-me em ti,
fiz do teu corpo mar morno…
A tua alma fez-se de areia e conchas que tacteei em pegadas…
Ali,
sustentada pela agua,
sentia-me completa!
As vagas de sonho,
de praias desertas,
trouxeram-me mensagens secretas em garrafas…
A água abraçou-me como se o início e o fim fossem a mesma coisa...
O céu não se espelha na água por acaso...
Flutuar e voar é quase igual,
hoje somos gaivotas livres,
sem revoltas ou pecados segredados...
Os cabelos leves são algas
que se balouçam na vontade das marés...
sem duvidas, sem medos, sem segredos...
Apenas tranquilidade!
O sol aquece-me as pálpebras fechadas,
como beijos ternos...
Cardumes de peixes fazem de mim ecossistema,
ou sou apenas sombra amena,
da tua pele dourada de mel…
Lambo o sal dos lábios como se sentisse os teus
nos meus,
vezes e vezes sem conta…
Meu recife de coral de anémona,
onde respiro sem precisar de vir à tona…
Juntos descobrimos galeões espanhóis,
esquecidos de pilhar por piratas,
cheios de dobrões e de pratas mascarados de emoções,
meu tesouro escondido,
oferecido por um Deus maior…
Hoje deitei-me em ti, foste mar, foste onda,
foste sonho, meu amor…

...

A vida é um milagre estranho e delicioso.

Faz-me pensar muitas vezes que o momento certo não é qd queremos, mas qd deve ser, que há alturas de dar e tornar a dar, sem receber nada em troca e há alturas de receber milagres, ainda q achemos q não merecíamos ser recompensados desta vez...

É perceber que o passado e o futuro são a historia de um presente que nem sempre temos sabedoria de aproveitar, mas que se constrói com todos os fragmentos desta linha frágil que conta a nossa historia todos os dias...

È aceitar que não somos todos diferentes mas tb não somos todos iguais e isso tem apenas a importância que lhe quisermos atribuir, pois podemos amar ainda mais essas diferenças...

É acreditar que um dia, no nosso leito de morte, sentiremos q fizemos a diferença, mais q não tenha sido por um dia, ou por um momento, mas só por isso valeu a pena!

Todas as lágrimas secam, todas as gargalhadas param, é assim mesmo q deve ser, um recomeço todos os dias, enquanto nos for permitido!

O mundo a preto e branco...

O gume cai,
mãos decepadas como baralhos de cartas,
paus, ouros, valetes, copas, que interessa o naipe?
Lume que crepita em fogueira maldita...
Sangue e poder,
ganhar e perder,
viver e morrer...
Que importa aqui perto,
o que se passa do outro lado do mundo?
Na vidinha mediocre de todos os dias,
esquecemos que la longe morrem 8 crianças por segundo...
Não são as nossas e não são brancas, que interessa, se sucumbem no chão?
Que interessa,
se não têm mãos, ou andam mancas?
Não brincam com os nossos filhos, pois não?
O daltonismo devia ser um dom...
La longe, onde o som dos gemidos das crianças não ressoa aos nossos ouvidos...
La longe, não há esperança...
Não há comida na mesa,
não ha canção de embalar,
não ha historias do dia de escola para contar...
Apenas a incerteza...
Azar terem nascido ali,
onde a janela de Deus não chega e os nossos olhos não vêem,
o que a nossa alma não nega...
Perdoai-nos senhor porque nós sabemos o que eles lhes fazem...

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Quadros de dedos mel...

Os olhos beberam-se cheios de sede,
como se fosse possível morarem no fundo do brilho da íris...
As bocas calaram-se,
mas ardiam,
num silencio que diz tudo em gestos...
Onde as palavras são adornos supérfluos,
como colares ou sete escravas de latão,
sem valor chamando a atenção como chocalhos provocantes...
As línguas tocaram-se,
saciando a urgência dos lábios sugados e violentados,
em desejos de beijos sucessivos e lascivos...
As pernas flectiam-se insinuantes,
enquanto a mão as separava ao centro,
as nossas mãos sabem amar-nos como ninguém...
A mão dele invejou aquele amor solitário,
(quase celibatário, até...)
e os dedos de ambos confundiram-se em caricias e consolos desgarrando prazer à vez...
A rigidez que se adivinhava,
quase doía,
corrompendo a roupa,
os seios dela apontavam o céu da boca dele, pedindo atenção,
enquanto as pernas se tornavam braços,
em abraços de cintura, galgando altura...
As mãos perdiam-se entre explorações de pele,
mas os dedos pareciam ter mel que apetecia lamber,
o prazer tem vários sabores...
Os sons ecoavam como paletas de cores,
ora suaves, ora intensos,
nos toques dedilhados como gaitas de foles...
Os corpos perdidos, em gemidos ritmados, confundiam-se e consumiam-se...
Nessa hora, não existe mundo lá fora...
Apenas, momento, sentimento e aurora...
Mas o mundo lá fora existe e o amor desiste...
Acorda amor, estavas a sonhar...
acorda amor, chegou a tua hora, tens de acordar.