quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

12 passas, 12 desejos...

1- Desejo que se ame mais só porque sim, sem ter de fazer sentido, sem ter de haver razões...
Que nos possamos, simplesmente, render a um olhar, um gesto, um toque acidental de mãos...

2- Desejo que sejam abolidos os rótulos, que deixemos de acreditar em títulos, que a identificação entre as pessoas deixe de ter a ver com um estatuto sintético qualquer...

3- Desejo que deixemos de ver os outros como "outros" e passemos a reconhecer os outros como "nós"...

4-Que se aprenda a cultivar a empatia sem desconfiança...

5-Que se aprenda que um carinho, um elogio, um sorriso podem ter importância sem criar mais expectativas, sem pretender algo a seguir...
Um sorriso não tem de ter um objectivo, pode ser o objectivo...

6-Que haja um sentimento de privilegio quando alguém nos deseja um bom dia!

7-Que possamos aprender, a tempo, que não estamos no topo da cadeia alimentar por acaso, nem por mérito de superioridade, a natureza deu esse privilégio à espécie que mais tinha a aprender...

8-Que vivamos intensamente cada dia, sem nos arrastarmos em lamentos estúpidos, sem invejarmos a felicidade alheia, a concretização dos outros...

9-Que busquemos todos os dias a nossa felicidade, que lutemos por ser fieis ao nosso coração, que saibamos dar valor aquilo q nos rodeia, todos os dias...

10- Quando estamos tristes que nos recordemos de momentos felizes para convidar a felicidade a voltar...

11-Que não deixemos nada por dizer a alguém q amamos, tudo o resto pode esperar...

12-Que o nosso rasto valha a pena!

A morte das divas...

Deitei-me de bruços,
no chão da tua alma,
à tua espera...
Chamei...
Voltei a chamar...
Não vieste...
Restaram os soluços...
Nem soubeste sequer,
q te tinha chamado...
O meu sonho encharcado nem te conseguiu tocar,
passou-te ao lado...
O fim fez-se para as lágrimas serem as divas,
heroínas suicidas que se lançam das pontes,
dos meus olhos tristes...
Há dias em q nem sei se existes,
ou se fui eu q imaginei
que fizemos parte um do outro...
Hoje ando aqui a desfolhar-me às metades,
sem ti...
Verdades, mentiras?
As miras de mil espingardas,
seriam menos cruéis
se me furassem,
como papeis de alvos frágeis...
Pudesse eu esquecer,
mas a memoria dá cabo de mim...
Todos os dias espero por ti,
mas as noites frias,
ficaram contigo...
Lutei tanto tempo,
agora já não consigo,
perdi...
Nunca lutaste e eu desisti...
Ainda assim,
estou aqui,
na tua frente...
Tu olhas para o outro lado,
desinteressado, gelado,
magoado talvez...
Nem me vês...
Nem me sentes...
Nem me mentes...
Nem me lês...

domingo, 27 de dezembro de 2009

A indolência da tua ausencia...

Onde anda o orvalho que me abençoava nos dias tristes?
Deixou de beijar as flores,
desvaneceu-se nas dores dos teus braços magoados, ausentes,
cerrados com força, como dentes?
Porque insistes em silenciar o mundo la fora,
como se o quisesses matar a par e passo...
Agora, a aurora mais não é do q um retalho gasto...
Uma ladainha triste que perdera o refrão,
amor sem perdão,
dor apenas...
Agora, todas as manhãs acordam com sono...
O sol tornou-se morno,
já nem aquece as penas das aves pequenas...
Perdeu o charme natural,
já nem corteja a alva lua,
com ar de marialva...
Não me aquece a pele nua,
não me deseja em candura,
conspurcando a brancura sensível...
O sol outrora era um tirano sedutor,
envergando um amor tangível...
Agora esta mais frio, mais cru,
cheio deste torpor meio vazio...
Como tu, meu amor...

O pecado da gula...

Sôfrega, gulosa, ansiosa,
desesperada quase,
bebeu a imagem dele de um só trago...
Depois fechou os olhos,
tentando reter o sabor,
esfregando, repetidamente,
um lábio no outro...
O amor, soubera-lhe a pouco...
Não fora louco o suficiente,
nem brilhantemente doce,
antes fosse...
Ele tinha um gosto diferente
do que ela imaginara...
O seu travo amargo,
deixou-lhe a língua dormente,
como queimadura de cacau quente...
Quis prova-lo outra vez,
numa teimosia infantil,
quase pueril, de tão cega...
Talvez o tivesse sorvido demasiado depressa,
e não dera espaço à entrega,
como quem trinca rebuçados com violência
e os engole aos bocados,
arranhando a garganta...
A urgência de o sentir era tanta
q nem a deixara pensar...
Agora a imagem dele dissipara-se no ar,
já nada havia a fazer...
Esquecera-lhe o rosto,
o gosto...
Já nada havia a fazer...

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

A herança de Shakespeare...

A boca sabia-lhe a chumbo,
aquele gosto metálico que têm as ostras…
Encolheu a cabeça, como se desejasse ter uma carapaça,
mas a cabeça não recolheu…
Ficou ali,
tentando passar despercebida pela vida,
fazendo balanços, balancetes, inventários mentais…
Tentou encontrar o inicio de tudo,
como quem acha a ponta do novelo...
Em vez disso,
sentiu-se mergulhada num prato de massa esparguete…
(A ponta nunca era aquela que ela queria encontrar…)
A vida mudava demasiado depressa
e ela, pela primeira vez,
não tinha pressa nenhuma…
Queria viver as emoções uma, a uma,
mas o botão de pausa não existia…
Tantas coisas ficaram por viver, por dizer, por saber…
Depois fica apenas o gosto do chumbo, como quem lambeu correntes...
O rosto marcado por máscaras diferentes que nos protegem,
ou apenas escondem da dor, ou do amor,
ou de ambas as coisas q tantas vezes se confundem…
Queria apenas perceber como tinha chegado até ali,
aquele preciso momento,
queria apenas entender o objectivo…
Se havia motivo?
Se passara por tudo em vão?
(Ser ou não ser, eis a questão…)
Nenhum adjectivo servia aquele pronome,
que fora o nome esquivo do seu sofrer,
ou razão estranha de viver…
Estava à espera de perceber…
Queria, precisava, mas não conseguia descortinar…
Se ainda o amava,
mas já não o sabia amar…

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

A todos os seguidores e visitantes um Feliz Natal!!!!! Obrigada por andarem por aqui!!!

Prazer...

O corpo arqueava-se para trás, em abóbada perfeita,
os olhos permaneciam fechados, balouçando as órbitas
em prazer tatuado na pele…
O formigueiro no fundo das costas subia todos os degraus até
à fronteira ténue do pescoço,
e brindava de humidade aquele pequeno poço delicado
onde se toma fôlego…
As pernas tinham necessidade de tocar uma na outra,
como se um íman invisível as atraísse irremediavelmente…
A língua molhava os lábios que se tingiam,
os dentes uniam-se levemente
num prazer urgente…
A boca saboreava-se num prazer solitário
de seminário budista em reflexão pelos enigmas do mundo…
Procurando sabores novos, em recantos conhecidos,
invadidos tantas vezes, em conquistas momentâneas e sucedâneas…
As mãos em espiral,
desenhavam caminhos de remoinhos
nos cabelos desalinhados e perfumados como óleo essencial…
Flectia os joelhos, fazia força com os calcanhares,
Encontrava força na leveza que era o corpo feito quadro de beleza,
em mares de sensações aos tropeções…
Deixava que as unhas fossem penas,
desenhando pistas de caça ao tesouro,
como poemas e enigmas intrigando poetas e piratas…
Gemia, corada, sem estar envergonhada
pelo prazer que sentia
e adormecia abraçada a si mesma, exausta!

domingo, 20 de dezembro de 2009

Foi ontem...

Foi ontem...
Ao passear nas margens de mim,
entre caminhos ásperos e trilhos doces,
que percebi que já não estavas...
Minhas mãos que foram escravas,
tanto tempo,
já não deslizam nas tuas...
Deixaram de haver fases diferentes,
agora vivemos em luas separadas...
Moramos em ruas que não se encontram,
porque os cruzamentos não existem...
Os sentidos que nos pertenciam,
hoje são todos proibidos...
Procurei desesperada,
vasculhei em todo o lado,
raspando as unhas nesta lama q era chama...
As cinzas estavam geladas, molhadas
da chuva transpirada, da tua inconsciência...
Foi ontem que descobri que já não moras ali,
nos recantos da minha paciência,
nas gargalhadas desbocadas da minha euforia,
nos meus beijos atrevidos, saboreados, mordidos
oferecidos e rejeitados...
Foi ontem...
Que deixei de te chamar amor,
num desconforto indolor,
que devia ter transmitido liberdade,
do sabor a sangue, na lamina da guilhotina...
Foi ontem que te passaste a chamar saudade,
deixaste de ser presente,
apenas porque viraste aquela esquina,
deste o primeiro passo para começares a ser passado...
Foi ontem que pela primeira vez percebi
que a mulher para ser feliz,
tem de deixar de ser menina...
Que nem sempre o que se diz é aquilo que se sente...
Que a boca que se beija,
é a mesma que nos mente...
Que existe um véu de renúncia
em tudo o que se deseja...
Foi ontem que enegreci o céu da minha alegria...
Foi ontem...
Mas podia ter sido noutro dia qualquer...

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

:(

Há vida em todos os planetas...

Um dia,
quando o tempo te atravessar como linha em agulhas,
quando a vida te estiver a abandonar,
lentamente,
e tudo à tua volta te parecer diferente
e difícil de acompanhar...
Quando estiveres,
horas seguidas,
de manta sobre os joelhos,
sozinho na sala, como estão sempre os velhos,
e todos estiverem a conversar na cozinha,
(porque o avô, ou está confuso, ou está sempre a dormir...)
Quando quiseres encontrar um motivo para sorrir,
sentires-te a uso,
como colher de pau antiga, mas preferida...
Quando precisares de falar e de ouvir,
teres motivo para permanecer,
precisares de saber q continuas vivo,
porque ainda fazes
parte da vida dos outros,
que sempre foram a tua razão de viver...
Não comeces a questionar todas as escolhas,
não lamentes decisões,
não faças desse sofá na sala,
o teu muro das lamentações...
Cala a dor, amor!
Também eu, noutro lar, que não o meu,
estarei ao pé do aquecedor,
cheia de neve nos cabelos,
a enrolar novelos de lã,
sozinha...
E a minha família na cozinha,
nunca poderá imaginar que os velhotes,
tão confusos,
cometeram os seus abusos e viveram paixões fortes
e as fases da loucura que ainda perdura,
no limite, ainda permite
que sejam capazes de amar!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

...

A princesa seguia ao colo das lágrimas, lutava com elas, dava-lhes pontapés, mandava-se para o chão, tentava fazer-se pesada para as lágrimas não a conseguirem levar...
Mas as lágrimas tinham tanta força e as princesas são seres delicados...
Ia desaparecer para sempre, levada contra vontade, ninguém sabe bem para onde...
O mundo assistia sem tentar resgata-la, como quem assiste a um filme que perdera o som e logo o interesse...
A princesa gritou por ele, pediu ajuda, mas ele que estava surdo nem ouviu. Em vão, a princesa arrancou a fita cor de rosa dos seus longos cabelos e tentou atar-se ao coração dele, mas o coração dele tinha partido antes das lágrimas a terem encontrado... A fita atravessou o peito dele, de um lado ao outro, sem se prender a nada e regressou vazia...
As lágrimas perceberam a tentativa desesperada da princesa e ficaram furiosas, tiraram-lhe a fita da mão e ataram-lhe a alma com ela, arrancaram-lhe o coração e deitaram-no ao mar...
A princesa suspirou de alivio, se o seu coração estava livre, se não era propriedade cativa das lágrimas, talvez um dia aprendesse a nadar...

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Porque o amor não basta...

Porque o amor não basta,
somos fantasmas que não alcançam densidade,
todos os gestos parecem supérfluos,
porque a alma se gasta,
como malhas em collants de lycra e seda...
A realidade torna-se azeda...
Andamos, aparentemente, bem vestidos
mas temos as meias rotas,
escondidas por baixo das calças,
com medo que alguém nos dispa,
cheios de medo e vergonha...
Porque o amor não basta
a verdade pode ser medonha...
Quando o amor não basta,
não existem batalhas, nem existem derrotas,
não existem prisões, nem campos abertos...
Percursos errados, percursos certos,
ou cursos que nos tragam respeito, ou reconhecimento...
Não existem surpresas ou decepções...
Não existem borboletas a voar no peito...
O céu passa a chamar-se firmamento
e aprendemos que as ilusões, são um conceito...
Tudo pode ser medido com fitas métricas,
tudo pode ser pesado em balanças,
tudo pode ser catalogado...
Tudo tem de ter um nome e uma cor,
um presente e um passado...
Esperanças são utopias que nem sempre vingam...
E nunca conseguiremos voar...
Porque o amor não basta
e às vezes, se afasta a fugir,
os dias têm horas,
as semanas têm dias,
e os meses têm semanas,
para nos obrigar a sentir
a fúria do tempo a passar...
Presa nesta dor que se arrasta,
porque o meu amor não te basta...

:(

"Martian Child" Adoptaria um E.T.?

Um filme brilhante que aborda de uma forma deliciosamente complexa uma verdade simples, os adultos e as crianças, de uma forma geral, vivem em planetas diferentes. Quem escreveu este argumento merecia uma medalha, porque consegue travar dentro de nós várias batalhas que nos ligam irremediavelmente aquelas duas fantásticas personagens. David, encarnado, desde a alma até aos ossos por John Cusack é um escritor viúvo que decide ser pai adoptivo, só que Dennis (Bobby Coleman), abandonado pelos pais biológicos e constantemente rejeitado pelo mundo que o rodeia acredita que é de outro planeta e apenas veio fazer uma missão de estudo e reconhecimento...
Será que cabe a David trazê-lo de volta à Terra, ou será que cabe a Dennis ensina-lo a amar um alien?

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

...

A princesa rodopiava, tentava inverter o sentido da Terra, queria obrigar o tempo a voltar para trás...
Girava sobre si própria, até perder completamente o equilíbrio e cair no chão, derrotada pela exaustão.
Depois, ficava deitada de olhos fechados, como se os seus olhos fossem berlindes a brincar aos piões, tranquilizava a pulsação, respirava fundo uma vez e abria os olhos para ver se já tinha rodopiado o tempo suficiente para evitar aquele momento...
Sentia o estômago embrulhado, mas não desistia, havia de conseguir fazer marcha-atrás no tempo que apenas conhecia a fuga em frente...
Levantava-se e resoluta teimava em recomeçar tudo outra vez...
Tinha de conseguir!
Eram apenas umas horas que tinham de ser reconstruídas, agora já sabia tudo o que tinha de evitar para que aquele momento passasse ao largo, sem lhe tocar...

O gosto acre da conquista...

O vazio perturba-me,
cobre-me, invade-me, mastiga-me,
trinca-me, devora-me...
Podia possuir todos os tesouros,
contemplar todas as paisagens,
atropelar-me em viagens e futilidades de um catálogo de revista
que me distraíssem, ou adornassem...
Travar um diálogo de circunstância
com alguém q mantivesse a uma distância de segurança...
Mas, não...
Caminho neste vazio egoísta,
lambendo recordações q nem sabes q existem...
Sem ti, não há conquista,
todas as vitórias sabem a derrota e a revolta...
Ligo os faróis de nevoeiro da minha memória
com medo que te dissipes no ar...
Não quero esquecer o teu rosto,
cada frase, cada riso, cada gosto...
Mas teimas em não ajudar...
Queimas todas as hipóteses,
como quem experimenta fósforos
só para os ver arder e morrer nas cinzas...

sábado, 12 de dezembro de 2009

:) Há mesmo...

...

Por mais que doa, temos que admitir que...

Há coisas que mudam, por mais que as quiséssemos imutáveis...
E...
Há coisas que não mudam, por mais que nos esforcemos para as corrigir...

Teatro amador...

As palavras correram como galgos numerados,
o sentido mastigado não vingava, ou convencia a ouvir...
Os olhos não se encaravam por saberem mentir...
Fugazes ilusões emprestadas, que alguém, viria um dia reclamar...
Angustias vorazes mascaradas de projectos,
que se tornaram dejectos...
Ela, já nem ouvia,
divagava,
enquanto fumava o cigarro à janela...
Ele, esbracejava no seu papel ridículo e teatral, tentando parecer natural...
Tinha ensaiado tudo lá fora,
a desculpa esfarrapada, que não desculpava nada...
Ela evitava que a cinza caísse na roupa estendida, estava surda e sem paciência,
encolhia os ombros, rendida...
Talvez fosse dormência...
Talvez fosse indiferença...
Talvez apenas mágoa...
A ladainha que ele articulava, na cozinha, entre promessas confessas de mudanças,
atravessava-a como vapor de agua,
quase sem lhe tocar...
Não havia confiança, não havia esperança, não havia nada...
Estava cansada de o perdoar...
Queria apenas que ele se calasse,
q o teatro acabasse e q ele se fosse deitar...

O Sorriso de Ulisses...

Toquei, no tecido dos sonhos,
onde mora a serenidade e a paz d'alma...
Toquei nas nuvens onde Deus se acalma e dorme...
Senti, em mim,
o amor mais profundo que existe no mundo
e resiste à intempérie...
Vivi uma felicidade de imortalidade em série,
só por te tocar,
ali,
no lago límpido do teu olhar!
Por momentos fiz parte da beleza pura
que existe na Natureza...
Por momentos, estive à sua altura!
Por momentos,
tive mesmo de chorar,
com os sentimentos à flor da pele e la dentro,
no peito estreito...
Fui,
parte do mar,
fui sonar de orientação,
fui ondulação...
Parte de tudo,
por ser parte de ti e minha parte...
Minha obra de arte que não sobra,
nem cobra o amor que tem para dar...
Tão fácil de amar...
Minha escultura de borracha,
que o homem-escultor não acaba,
nem pode acabar,
pois não conhece o amor,
procura mas não acha...
E assim, o amor não dura...
Meu silencio em forma de grito,
minha janela aberta para o infinito inacabado...
Tão certa...
Tão bela... Toquei, no tecido dos sonhos,
apenas por te ter tocado!

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Nu...

Despe-te...
Rasga a roupa como se fosse papel...
Quero sentir-te livre e verdadeiro,
sem cheiro de perfume q te mascare,
ou anel que te castre...
Quero lamber-te os lábios,
meu mel de geleia real...
Tornar-te clave de sol em inicio de pauta,
ou nota musical...
Minha flauta de Hamelin...
Quero sentir-te nu, contra mim,
vestir-te de beijos...
Beber-te os desejos secretos, impressos na pele...
Quero-te dentro de mim,
onde sempre moraste sem saber...
Meu deserto, onde morro à sede tantas vezes...
São minutos, horas, dias, meses,
sem ti...
Despe-te...
Deita fora a roupa encardida,
a vida, espera por esse momento,
em q entro pela tua porta porque a encontro aberta...
Não quero ser praia deserta de ondas a morrer,
sem ninguém ver...
Despe-te...

:)

LOL

Esta é uma "semi" private joke, mas não resisto em postar....
O Oceanário de Lisboa e o Vasco, q para quem não sabe, é a mascote do Oceanário, (um simpático mergulhador), têm um cd de música para crianças.
Parece-me bem!
O nome da primeira música do cd infantil é:
"O meu submarino"...
No mínimo, sugestivo!

...

Quem vive um dia de cada vez, vive dias mais longos...
Os meus, ultimamente, têm sido surpreendentemente intermináveis!!!
Decididamente, deixei de lutar pelo meu futuro e descobri o deleite de viver o meu presente, assim, intensamente...
Cada minuto tornou-se assim, puro prazer!
Não pretendo a arrogância de fazer grandes planos, desconheço quanto tempo dura esta aventura de estar viva...
Amanhã é outro dia, mas se não for, enquanto dura, q seja emoção pura!

Hoje, porque estou cá ainda, e ainda bem, deixo um beijinho daqueles repenicados, q fazem barulho, nas pessoas q contam, q para mim são todas!

Beijinho em si e obrigada por estar neste momento aqui, comigo, agora!

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Mea culpa...

Aqui,
de joelhos nus em chão de vidros moídos,
pecadora me confesso...
Peço perdão amor,
por todas as vezes q te servi de abrigo,
por todos os meses de castigo,
em q esperei por ti...
Alimentando-me da dor,
como pombos de migalhas...
Peço perdão, meu amor...
Por perdoar sempre as tuas falhas,
e saber q o meu lugar é lá ao fundo,
nas sobras do teu mundo...
(Naquele sótão imundo que nem perdes tempo a limpar...)
Peço perdão amor...
Caminho de pés em sangue,
mas não me sinto aliviada,
a caminhada fomenta a penitência,
mas não chega...
A alma torturada, mastiga-me a carne...
Já nem a dor me alimenta,
porque a minha alma já nem come,
não aguenta a dormência da tua ausência...
Prefere errar, cega por aí, a viver sem ti...
Optou por morrer à fome...
Peço perdão, meu amor,
por cada abraço que te dei em pensamento,
por cada lágrima q limpei,
por cada beijo q te dei para te aliviar o sofrimento...
Perdoa-me meu amor,
por favor, magoa-me...
Por todas as vezes em que chorava,
mas fazia-te sorrir...
Peço perdão, meu amor...
Por o meu colo ser tantas vezes,
o consolo da tua dor...
Peço perdão, meu amor...
Prometo q não se volta a repetir...

domingo, 6 de dezembro de 2009

UP, UP AND AWAY!!!!!!

Quem já viu o filme de animação "UP" dos estudios "PIXAR"?
Ontem passei por essa fantástica experiência, devo confessar que sou uma cinema-dependente, mas que optei por não ter ido ver este ao cinema, vi o trailer quando fui ver o Ice Age 3 (Sim, hilariantemente fantástico) e não me despertou "aquela" curiosidade.
Ainda bem, porque o UP é muito mais do q um filme para se ver no cinema, não o queria partilhar assim, é dos filmes mais comoventes, enternecedores e bonitos que já vi até hoje.
Apesar de ser um filme de animação (na minha opinião, não é um filme de crianças) trouxe-me as lágrimas muitas vezes, apenas com o sentimento que imprime dentro de nós!
Fala do amor que dura, dos sonhos que não morrem, do valor que damos às recordações...
Fala de cada um de nós, de uma forma muito especial e doce!
Por si, veja o Up, vai dar consigo a sorrir, como não sorria há muito tempo...

Parabéns Pete Docter!!

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

...

Já alguma vez lhe disseram, em tom reprovador, q faz tudo à sua maneira?

Por mais que nos esforcemos nunca conseguimos agradar a toda a gente...

Se temos vontade própria, somos teimosos...
Se cedemos, temos falta de personalidade...
Se rimos muito, somos parvos...
Se rimos pouco, somos anti-sociais...
Se somos inteligentes, somos arrogantes...
Se somos descontraídos, somos burros...
Se nos vestimos bem, somos vaidosos...
Se nos vestimos mal, somos desleixados...
Se somos arrumados, somos maníacos...
Se somos desarrumados, somos anarquistas...

Assim sendo, atreva-se a ser simplesmente feliz à sua maneira!
Um bom fim de semana
Beijinhos em si!

Não mata, mas doi...

Ás vezes o dia nasce diferente,
com horas mais largas, mórbidas, amargas...
Como se as nossas angustias fossem ponteiros encravados no tempo,
presos naquele minuto triste em q deixámos de nos ver...
São dias feitos noites de luto,
onde o momento dorme e o prazer não existe, nem me conhece...
A minha alma adormece, entra em coma profundo...
Torna-se nevoeiro cerrado que não se dissipa,
nem permite ver o caminho...
Ando cega pela escuridão e o chão estala,
como se pisasse gelo fino...
Cada passo é sentença de morte...
À minha volta tudo se cala,
na expectativa de me ver tombar...
A indiferença dos outros dá cabo de mim...
Faço-me mais forte do q sou,
apenas porque estou cansada de mais para ser fraca...
O que não nos mata,
engorda a maldade de quem não perdoa...
O q não nos mata,
torna mais forte quem nos maltrata...
O q não nos mata, magoa...

domingo, 29 de novembro de 2009

Abra cada Bra...

A alma rodopiou, até cair por falta de equilíbrio...
Sentiu-se varinha magica barata,
ante uma plateia pouco credula...
Sabia que a magia nunca passara de um truque
e que um Homem nunca saberia amar uma mulher...
Para nós o q importa é a partilha,
para eles a conquista e a novidade...
Fechou novamente os sentimentos à chave,
que lhe mordiam o peito como matilha de lobos...
Sempre soube a verdade, mas uma esperança sádica
teimou em castiga-la, dando-lhe gomos de confiança...
Não, não somos capazes de ser felizes se nos permitirmos amar...
Não, não somos felizes se formos capazes...
Não, não nos permitimos ser felizes...
Não, não somos capazes de amar...
Não, não somos...

...

É bom acordar e a boca saber-nos logo a conquista!
De quando em vez, a vida prova-nos que tudo é possível!
Como diria alguém "O impossível demora apenas mais tempo!"

Hoje venho aqui dar um beijinho a todas as pessoas que um dia, num momento de loucura qualquer, acreditaram q eu era capaz!
Muito Obrigada a todos!
Esta conquista é tão minha, quanto vossa!
P.S. A.A.M. Tinhas razão!

sábado, 28 de novembro de 2009

:)

Euphoria...

As emoções fluem, como espelhos...
gritando reflexos,
chamando ilusões,
projectos que eram pó e agora ganham contornos...
A ânsia, fez-se luz e a luz fez-se concreto,
como sonho escrito nas paredes...
Nada é impossível,
porque o impossível teve vergonha de castrar os outros...
Agora, engoliu o orgulho, tornou-se crente, tornou-se fado!
Nada pode limitar as barreiras dos nossos dias,
somos orgasmos em tons de azul, gemendo lado a lado,
distribuindo prazer, distribuindo querer, fazendo acreditar!
Tudo é possível, porque somos almas eternas e doces que apenas passeiam por aqui...
O tecto dos nossos sonhos, se quisermos, se permitirmos estará sempre mais alto...
As nossas pernas, se deixarmos chegarão sempre mais longe,
alargando os passos, como gazelas em campos abertos...
Somos feitos à nossa própria imagem,
nada compromete as nossas conquistas,
somos paisagem de vistas largas...
Somos um quarto espelhado que nos reflecte e nos torna completos!

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Coreografia improvisada...

O corpo é arte em movimento,
como garças brindando em poças...
Os braços e as pernas confundem-se,
abraçando ângulos rectos q desafiam a gravidade!
A verdade nem sempre é absoluta,
quando o corpo é sonho e luta coreografando o impossível...
A beleza mora ali na linha curvilínea de cada gesto,
às vezes parece que existe um anjo invisível que lhes empresta as asas...
Mas o amor e a entrega têm destas coisas,
criam passos no espaço aberto,
como trilhos de textura cega e suave...
Se não existisse o som poderíamos sentir a musica
dentro de nós apenas pela sua partilha apaixonada...
Basta deixar a alma seguir nua,
como se acabasse de nascer,
entre paixão e pureza...
Podemos sentir o piano dentro de nós,
em cada bater de coração,
em cada tocar dos pés no chão,
o nosso corpo tem uma voz própria basta escuta-lo..

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

:)




Naku penda piya... Naku taka piya... Mpenziwe!

...

As historias de amor intemporais cantadas por poetas, dramaturgos, romancistas, são sempre as q terminam em tragédia...
Só se vive feliz para sempre nos contos infantis para, ao menos, enquanto somos pequeninos e doces, podermos acreditar que é possível...
O amor perfeito é como o pai Natal, faz-nos acreditar na magia e depois deixa-nos descobrir q essa magia tão verdadeira, só foi palpável dentro de nós...
P.S. Não me arrependo de ter acreditado tanto no pai Natal...

:)

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Os passaros de Chernobyl...

Não, não são lágrimas...
São rascunhos do meu diário que nunca escrevo...
São punhos cerrados cravejados de vidros moídos...
São cadáveres que me roem a carne, me mastigam os ossos
e me invejam o sangue...
Não, não são lágrimas...
São mãos esticadas tentando alcançar escadas de esperança...
Corpos caindo em precipícios, tilintando nas pedras...
Cordeiros de sacrifício imitando o choro de uma criança...
Pássaros de desastre nuclear q deixaram de voar,
descobrindo as penas no chão...
Não, não são lágrimas...
São mares que se tornaram campas de água,
onde as espécies marinhas se deixaram morrer de tristeza...
São rostos disformes sem olhos, nem boca, nem queixo
como manchas de impureza e crueldade...
São reflexos inversos da verdade onde me deixo adormecer...
Não, não são lagrimas
é apenas a minha alma a escorrer...

...

Não sei como, nem quando nasceu a maldade, até há bem pouco tempo nunca me tinha realmente cruzado com ela, hoje sei que durante muito tempo fui uma verdadeira privilegiada...
Será q compensa ser gratuitamente mau?
Fazer mal a quem nos quer bem?
Magoar quem confia em nós, quem acredita em nós, quem nos deseja todos os dias o melhor?
Honestamente, estas respostas espero demorar o dobro de tempo q levei a conhecer a maldade, a cruzar-me com elas...
P.S. Ola pessoas más...

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

...

Como podemos julgar conhecer as pessoas que se cruzam na nossa vida, se demoramos uma vida inteira para conseguir conhecer quem somos?
Porque perdemos tempo a desiludirmos-nos com amigos que julgávamos fantásticos e se revelam medíocres, ou até mesmo nulos, se tantas vezes somos inimigos de nós próprios?
Quem me dera morar na torre de um castelo, onde a única forma de chegar até mim, fosse através das minhas tranças, juro que passaria a usar cabelo curto!
P.S. Isto passa...

Asma...

Às vezes, as emoções parecem lesmas deixando rastos nas paredes,
ninguém lhes toca com medo, ou simplesmente por repugnância...
E as emoções ganham distância, passam do concreto ao abstrato,
como mágico asfixiando coelhos em cartolas...
Somos bolas de sabão inquebráveis,
que se moldam à medida das nossas conquistas...
Das nossas derrotas...
Pensamos que um dia, algém pode partilhar o nosso espaço,
mas as bolas só têm ar para um elemento...
Há sempre alguém q tem de optar por deixar de respirar...
Eu ja aguento o folego há tanto tempo que me esqueci como é ter os pulmões cheios...

sábado, 21 de novembro de 2009

Papel Crepe...

O rosto da mulher parecia papel crepe,
belo e alegre, apesar de amachucado...
Cada ruga representava uma história diferente,
como se guardasse o diário nos caminhos da face...
Nos olhos ainda residia a esperança de criança em noite de Natal, recebendo o presente mais desejado...
As almas às vezes são assim, permanecem jovens,
disfarçadas em corpos marcados e abraçados pelo tempo...
O sorriso sábio que às vezes lhe acetinava o lábio,
tinha a bondade de quem amou uma vida toda...
De quem respirou cada aurora, namorou cada hora,
com fúria e com alegria...
Fora tantas vezes tempestade rebelde, hoje era mar de calmaria,
os cabelos brancos longos eram ondas doces q já só queriam beijar areia e conchas...
Já não construía marés e os pés tinham aprendido a pousar mais vezes no chão...
A palma da mão escondia a sina cumprida e honrava a linha da vida que se tinha provado longa...
O colo era passeio obrigatório dos netos irrequietos...
Quando a morte a encontrasse não teria receio,
sabia q teve a sorte de viver mais vidas q a maioria dos mortais...

terça-feira, 17 de novembro de 2009

O mito dos dragões...

Quando o amor se torna o caminho,
o mundo muda as cores,
como se as flores do campo se estendessem para nos dar passagem, deitando os cales,
fazendo vénias...
O som torna-se um candeeiro de luz fraca,
entre promessas e roupa ainda quente,
tremulo,
como luz de fraca amperagem q apenas cria ambiente,
mas não permite ler...
Não se constroem frases,
porque a gramática fica esquecida...
É muito mais uma questão de linguagem gestual fluída,
que se sabe, sem aprender letras com dedos ...
Nessas alturas, somos surdos,
que sentem a linguagem nas mãos,
segredando segredos...
Somos mudos, que apenas articulam sons, às vezes nomes...
Somos cegos porque escolhemos fechar os olhos e experimentar o tacto e o gosto...
Os sentidos todos à flor da pele,
como tatuagens em alto relevo...
O corpo torna-se fogo posto,
servo dedicado,
cativo em veredas de emoções,
q não se imola nas chamas...
E brinca com as labaredas,
imitando dragões em fúria...

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

As lágrimas são de pedra...

A estátua viu o seu corpo de pedra tombar com tristeza,no chão...
Tinha sido esculpida à mão, fruto de amor e suor de um escultor apaixonado,
dedicado a tornar o seu corpo perfeito...
Agora o trabalho do homem que amou,
era destruído por ignorantes sem piedade,
que a devassavam, sem respeito...
No peito da estátua não batia um coração,
nem havia sangue que lhe colorisse as veias,
mas o seu mestre e criador tinha-lhe dado um pouco da sua alma...
Eram parte um do outro, comungando amor e arte,
eram um só...
Mas os homens não sabiam nada desse amor,
não tinham dó do escultor que podia fazer outras estátuas melhores e mais belas q aquela...
Enquanto os membros da estátua caiam por terra,
os seios se tornavam pó e pedra solta,
o escultor chorava, não sentia revolta,
mas sabia que a sua maior obra morria ali
e ele morria com ela...

domingo, 8 de novembro de 2009

:)

As asas de cartão...

A esperança caminha, escrevendo capítulos na escuridão...
Houve tempos em que a sua auto-confiança era inabalável,
agora, até os neons da noite a fazem sentir invisível,
ou frágil,
como cartão molhado depois de chover...
A maturidade não faz ninguém mais feliz,
torna-nos apenas zombis solitários,
a pisar o chão a medo,
sem nos atrevermos a correr...
Antes, só temíamos os monstros imaginários que se escondiam ao pé dos casacos nos roupeiros,
hoje temos medo de nós próprios,
porque nos tornamos cínicos e pequeninos...
Queremos ser os primeiros a concretizar alguma coisa,
apenas para estarmos a altura dos segundos lugares...
Somos livres, mas preferimos sair com coleira e trela quando vamos à rua,
para termos desculpa de não conseguirmos morder ninguém...
A confiança deixou de ser cega e passou a ser crua e insossa...
Onde deixamos as nossas asas?
Devem estar cheias de pó, as penas amassadas, as guias tortas ou até mesmo partidas...
E as nossas costas de tão vergadas, estão demasiado doridas para suportar a sua leveza...

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Alice no país, sem maravilhas...

As palavras fogem como manadas de cavalos selvagens,
de crinas soltas...
O teu silêncio é o muro que limita os nossos sonhos...
Baixei a espada, não luto mais,
já não acredito em possibilidades saídas de contos de fadas...
A Alice saiu de vez da toca mágica do coelho...
A poesia deixou de ser a nossa aliada secreta,
agora é apenas o meu carrasco...
Partes porque não te encontras,
mas sou eu quem se perde pelo caminho...
Já não tenho forças para entender,
só me resta tentar esquecer...
Fazer de conta que o príncipe e a princesa envelheceram juntos,
num conto infantil qualquer que eu não li por lapso...
E que a imortalidade do meu amor por ti,
reside ali,
nas paginas coloridas, entre castelos e dragões...

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

O Sol queima as asas das borboletas...

A cinza caía como neve negra,
salpicando o corpo,
tingindo o cabelo,
fazendo contornos ou silhuetas cinzentas...
Ela permanecia de joelhos, no chão frio,
as mãos cobriam o rosto que era um rio...
Os soluços repetiam-se como eco,
ou pancada seca...
Talvez estivesse nua,
ou apenas fosse a sensibilidade doce à flor da pele...
O coração de trote violento, estremecia lá dentro...
O corpo brilhava-lhe como lamparina de azeite,
era enfeite da escuridão,
mas a beleza às vezes dói...
Ela sentia-se salpicada de ácido sulfúrico,
o corpo ardia-lhe de vergonha...
Tinha vontade de mergulhar-se em água a escaldar,
ate a pele ser balão de ar...
Sentia a lixeira do mundo agarrada a si, como se fosse o único aterro, ou enterro da podridão...
Queria voar para longe,
mas as asas estavam queimadas e sabia que jamais sairia dali...
Estava presa ao chão, estava condenada, estava morta, fechou-se a porta dos sonhos...
As asas já não lhe valiam de nada...

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

:)

...

Saiba sempre que é especial, porque é uma obra de arte que não se repete!
Não descure o seu valor, não menospreze o seu talento, não se deixe morrer por dentro, nem se tente confundir na multidão...

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Porque os barcos pertencem ao mar...

O tempo divaga, como flocos de neve alva a morrerem na boca,
deixando um gosto fresco e efémero de brisa molhada...
Já beijei cada pedra da calçada, do caminho secreto que me leva ao teu encontro,
às vezes fecho os olhos e deixo simplesmente que a mente me leve a esse cantinho distante
que me permite abraçar-te um instante...
Sei que o futuro é carta fechada, mas às vezes espreito por uma brecha do envelope, apenas para ver se lá estás, ou se seguimos rumos diferentes...
Penso em ti mais do que devia, mas nem sei o q é dosagem certa, nesta porta aberta da minha alma que é desejo e guerra interna...
Sinto-me calma, quando paro o relógio do tempo e te roubo um beijo...
Não quero saber se atracas em outros portos,
que são regaços...
Porque é nos meus braços que sentes o porto de abrigo...
O meu castigo é ser cais que também te vê largar...
Fosse eu sopro de ar
que te acompanhasse sempre...
Fosse eu leme,
em vez de pontão...
Fosse eu o teu mar,
onde te deixasses navegar...
Fosse eu o teu chão,
que pisasses devagar...
Fosse eu apenas céu...

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

:)

La rêveuse folle...

Mon pied part sans mon âme,
sans mes rêves,
sans l'espoir de chaque nouveau jour...
J'attends de rencontrer le chemin...
Toutes les lumiéres se sont fatiguées de sentiments faibles,
oubliés par les hommes...
Les hommes ne savent rien...
Quelques fois, je me sens toute seule...
Je me sens la derniére rêveuse,
une folle triste,
qui croit que l'amour existe...
Je porte mon coeur à la main,
mais quelqu'un le tue à la rue,
sans peur, jusqu'à l'horreur...
Mon pied part, tu restes lá...
Pour toi, je n'importe pas...
Au revoir...
Peut-être tu ne me verras jamais...
Mais, tu ne me manqueras pas,
Tu m'oublieras tout suite,
tu m'oublies déjà...
Je m'en vais...
Au revoir...

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Braços de braille...

Como sombras e silhuetas esguias,
em rua velha de pedras gastas, delimitadas por despojos de beatas amassadas...
Quando os ecos dos becos se calam e o silencio assusta e incomoda,
como viúva a carpir o marido que sempre odiou...
São vultos desconhecidos que mais parecem fantasmas perdidos,
a partilhar sonhos medonhos graduados em químicos misturados com limão...
Fecham os olhos, abrem a boca que cheira a morte em esgoto seco,
atiram a cabeça para trás e a viagem começa,
ali no chão imundo do beco...
Já esqueceram como começou aquela procura de loucura empenhada que pagam com a alma,
os braços estão em braille, porque estão cegos...
Cristos em cruzes de pregos, por opção,
mostram a ironia crua e fria, a morte nunca foi salvação...
Seres da noite, deambulam como vampiros doentes,
dependentes da dor, alma esfaqueada, que perdeu o valor...
A maior parte deles já morreu e nem sequer deu por nada...
Fazem parte das pedras gastas da calçada,
mas não são chão de ninguém...

:)

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

...

Ninguém é perfeito, mas apesar de todas as nossas imperfeições merecemos ser amados, sem q nos tentem mudar a todo o custo… Queremos q olhem para nós, vejam o lado bom e o achem fantástico e vejam o nosso lado mau e o achem aceitável… A vida também não é perfeita, tal como nós tem defeitos… Aprenda a ama-la como deseja q o amem a si, admirando o lado fantástico e aceitando o lado lunar, esperando q passe o quarto minguante e regresse a lua nova!

Não.

Não.
Não vou voltar a cometer os mesmos erros...
Não vou voltar a percorrer caminhos repetidos e sofridos que só me cansam as pernas...
Não vou voltar a meter-me no teu lugar,
porque o meu lugar tb precisa de mim...
Não vou voltar a perdoar porque erras sem querer, quando podes parar de errar...
Não vou preocupar-me contigo quando me fazes porto de abrigo
e a seguir partes sem olhar para mim...
Não vou voltar a estar por perto,
porque tu estás sempre longe
e habituei-me à distancia...
Hoje, sei que em todo este tempo,
nunca disseste a verdade,
ainda q acreditasses q sim...
Não, nunca gostaste de mim,
querias-me por perto
porque te sabia bem,
o frenesim...
És viciado em ser amado...
Não...
Não vou voltar,
mas tu vais continuar a sentir pena de ti,
a achar q és inocente,
q o mal esta em mim,
q não te amei o suficiente...
Encontrarás mil desculpas para as tuas culpas..
Mas eu não vou lá estar,
para me puderes acusar...
Não...
Não posso continuar...

A lâmina do inevitável...

Ás vezes, quando o olhar se perde no alcatrão da noite, como açoite sem razão...
Quando os lábios se selam em cola de contacto,
e a verdade se torna facto e dilacera os nossos sonhos...
Quando a espera é sede de nascente, onde só corre água salgada...
Ás vezes, quando todas as respostas procuram a resposta errada...
Quando preciso de colo e ninguém repara,
porque a chuva abençoada me lava a cara...
Quando desejo dar a minha vida a uma mãe que tenha um filho doente...
Quando um beijo tem um sabor diferente daquilo q preciso...
Quando o juízo me castra as pernas e me corta os dedos das mãos...
Quando o silêncio não me basta para calar tanta coisa cá dentro...
Ás vezes quando o cofre dos meus segredos comporta mais do q a minha alma suporta...
Quando tento e tento e tento e nada muda...
Quando nego precisar de ajuda, porque não sei depender, nem consigo aprender...
Quando entrego o meu coração e o deixam cair no chão e eu faço de conta q é inquebrável...
Ás vezes, quando o olhar se perde no alcatrão da noite, como açoite sem razão...
Quando os lábios se selam em cola de contacto,
eu percebo que a verdade é um facto incontornável...

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Os pinceis nada sabem...

As pestanas pesavam toneladas,
os olhos eram bandidos a espreitar em brechas de janelas de cortinas corridas...
Os olhos ás vezes fogem,
como crianças a jogar às escondidas,
os dele fugiam sempre,
conheciam todos os esconderijos da alma torturada...
Ela tocou-lhe, ao de leve,
no rosto,
com a ponta dos dedos finos,
acariciou-lhe o queixo com o indicador e desenhou-lhe o lábio, com o polegar,
sempre gostou de desenhar lábios com os dedos...
Se soubesse pintar jamais usaria pincéis,
as cores gostam de ser tocadas e os traços devem começar em nós...
A voz dele teimava em encolher-se enquanto lhe admirava os sapatos involuntariamente,
tentando distrair a mente do óbvio,
ela estava ali, à sua frente...
Não adiantava esconder-se mais de si próprio,
a terra dos olhos dele nunca tinha sido habitada,
era selva virgem sem árvores, ou aborígenes inquietos...
Ela beijou-lhe cada olho,
pediu permissão para morar ali,
ele tinha medo de dizer q sim,
mas o medo de dizer q não era ainda maior...
Se virasse as costas ao amor,
para sempre,
saberia viver depois?
Os lábios dela, não esperaram mais,
procuraram os seus,
arriscaram perder-se ali,
um momento doce antes do Adeus,
uma vez q fosse, valeria a pena!

terça-feira, 13 de outubro de 2009

...

Somos eternos insatisfeitos... Queremos sempre mais, por isso damos tão pouco valor ao muito q temos... A vida enfeita-se para nós, pisca-nos o olho, acena-nos com ar atrevido e nós teimamos em não reparar... Estamos sempre distraidos a comer migalhas, às escondidas, sem vermos o pão, ali, à nossa frente... Porque desconsideramos tanto os ratos, se passamos a vida a tentar ser, como eles?

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

O homem do fraque...

E se, finalmente, as dívidas fossem cobradas?

Apagou-se o archote quente...
As cores desmaiaram, tornaram-se lívidas...
A Natureza deixou-se morrer, cansada...
O horizonte desapareceu e os risos das crianças calaram-se,
fartaram-se de ser ignorados,
ante outros interesses, desinteressantes...
Só se ouvem choros,
como coros de igreja herege,
onde o cinismo sobeja
em ladainhas enervantes de beatas cínicas com olhares demoníacos e assustadores,
vestidas de bege
e padres pedantes e violadores das leis do céu...
Caiu o véu, os anjos viraram-nos as costas...
Os agiotas cessaram as apostas,
Deus perdeu...
Morreu...
Foi pai benevolente,
hoje esta consciente q de qd em vez,
nos devia ter dado um açoite.
Cansou-se,
de nos ouvir à noite a pedir para sermos ricos,
em vez de pedirmos para sermos melhores,
de lhe devermos favores nunca saldados,
ou respeitados...
De o acusarmos de não nos fazer mais felizes,
quando a felicidade é uma opção nossa...
Tanta ingratidão, por fim fez mossa...
Agora, ele já não mora mais aqui,
cansou-se de nós,
filhos ingratos e chatos...
Eu agarrei-me aos pés dele...
Implorei-lhe q ficasse...
Não adiantou de nada...
Ele nem olhou para mim...
Também o desiludi tantas vezes...
Sempre pedi que alguém me amasse
e ele amou-me todos os dias,
mas eu achei pouco...
Partiu a chorar pela nossa sorte,
loucos, tontos.
condenados à morte a darmos valor a tudo,
menos ao amor...
Estava farto...
Farto do cheiro da miséria,
Farto de ser o culpado de tudo,
num mundo q não pensa em mais ninguém
e só lhe pede recompensa...

terça-feira, 6 de outubro de 2009

...

Às vezes, quanto mais falamos, quanto mais tentamos chegar a alguém, mais tijolos de barro erguemos...

Dentes brancos cravados no tronco....

O tronco da figueira era irregular,
cada nó, de madeira centenária,
servira de açaime a todos os castigados q a tinham abraçado, sem forças...
Escorregando por ela como invertebrados cansados,
entoando uma ária de ópera mórbida qualquer,
entre graves, agudos e urros de animal...
Nunca perguntaram à árvore se assentia em ser carrasco passivo,
serviam-se do seu corpo como quem se serve de uma mulher e nem lhe pergunta o nome...
A árvore assistia, dia após dia, chorando folhas e sentindo a dor dos condenados...
Cruzavam as mãos deles, por trás dela,
em corda de sisal,
deixando-lhes as costas descobertas para receberem as feridas abertas...
Os corpos eram da cor da noite, mas vestiam-se de magma,
como vulcão em erupção, enquanto o chicote dançava...
As lágrimas regavam-lhe as raízes como aguaceiros infelizes...
Alguns caiam de joelhos, como padres velhos a rezar, sem acreditar em nada....
Outros,aguentavam de pé,
eram crentes...
Acreditavam num Deus q os fizeram de côr diferente...
Recebiam o castigo, sem odiar,
sentindo o sangue a escorrer pelas costas abaixo até às pernas arqueadas,
fazendo força nos dedos dos pés e rangendo os dentes,
mais brancos que os dos senhores,
q eram os donos dos escravos...
Esses tinham fé e não costumavam morrer abraçados à árvore,
que tremia com eles,
q sofria e chorava com eles,
q pedia com eles,
dia após dia,
noite após noite,
que terminasse o açoite...
Que se cansasse o braço branco do chicote q odiava a cor da noite...

domingo, 4 de outubro de 2009

O sangue da rosa...

A rosa pediu-lhe q lhe tocasse,
q a levasse dali...
Ali,
era apenas, mais uma,
na multidão da inveja e da cobiça...
Queria sentir-se amada, sentir o grilhão da exclusividade, uma vez, pelo menos...
Seduziu-a, implorou-lhe atenção,
ser a derradeira tentação da vontade...
Valia a pena morrer, se o amor a tornasse imortal, de tão especial...
Ela não queria arranca-la da terra, achava q todas as flores fazem falta num jardim...
Espelham as cores da nossa alma...
Mas obedeceu-lhe e deixou q a rosa a amasse,
ela amou-a desde o primeiro momento,
era impossível resistir a tanta coragem e tormento...
Mesmo no meio de tantas outras,
aquela rosa nunca fora invisível...
Ofereceu-lhe o cetim húmido dos lábios,
a rosa tornou-se contorno...
Passeou-se ao longo da linha do pescoço como se cada pétala fosse a ponta dos dedos de alguém,
explorando território proibido a medo...
O perfume da rosa foi deixando pegadas ao longo do corpo dela,
como segredo para revelar depois,
num momento a dois...
Conheceu-a,
viajou entre montes e vales desbravando pudor,
como se ancorasse e morasse em cada poro...
Deixando marcas de lápis de cor de traço fino e preciso,
foi sorriso rasgado e abraçado,
entrelaçado entre prazer e respeito marcado no fundo profundo do peito...
Os espinhos encolhiam-se e rendiam-se,
trincando o caule com força,
para resistirem à vontade de lhe provar a carne...
Mas a rosa não controlava os espinhos, nem o desejo bruto
que sentia pela primeira vez...
O momento foi encontro e foi luto,
entre trilhos de impulso tornados sangue no pulso...
Ela era agora cascata da mesma cor,
mas era na dor dela,
q a rosa se confundia...

:)

sábado, 3 de outubro de 2009

Brancas...

Os olhos tentavam, em vão, conseguir identificar as moedas na carteira,
começou a respirar mais depressa,
sentiu-se impotente e confusa...
Não percebia o valor de cada moeda na mão,
atirou a carteira ao chão assustada e começou a chorar...
A rapariga q a atendia percebeu,
mas fingiu não entender o q se estava a passar...
Não a quis enervar mais, nem humilhar...
Apanhou a carteira do chão e contou-lhe as moedas devagar,
evitando-lhe o olhar...
Ela sentia-se tão envergonhada, por estar a chorar...
Toda ela tremia,
o terror de esquecer o nome,
a sua historia de vida,
a identidade
e o amor que tinha a toda a gente que lhe era querida...
Se acordasse amanha e tudo lhe fosse estranho?
Estaria a acontecer?
Estaria a perder a memória?
Sabia q estava doente e a idade avançada não a ajudava...
O coração ardia-lhe como estanho em brasa...
E se nem soubesse voltar para casa?
A rapariga saiu de trás do balcão
e meteu-lhe com calma, o troco na mão...
De repente começou a lembrar-se do valor justo de cada moeda...
Respirou fundo...
Fora só um susto?
Um momento de terror?
Um segundo de aflição?
O q interessa é q ja passou...

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

...

Há dias bons e dias menos bons…
Mas quais pesam mais na sua vida?
Aprenda a construir dentro de si uma balança inteligente, sempre que tiver um dia menos bom, meta no outro prato todos os dias bons q já teve o privilégio de viver!
(Sim é batota, xiu., mas vida é sua, pode ser você a fazer as regras, desta vez!)

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Condenação suspensa...

As mãos acariciaram o vidro sentindo algum conforto, ante a solidão,
respirou em cima dele, sabia q o vidro lhe retribuiria o ar quente, como se beijo fosse...
Até o vidro conseguia ser mais ténue e doce apesar de lhe poder rasgar a carne se fosse violentado...
Fechou os olhos, engoliu em seco...
Passara tanto tempo no passado q o futuro lhe
parecia agora bairro novo com a mudança por fazer...
Andara sempre a correr à volta do mesmo carrossel de emoções
e agora sentia-se tonta, ante a esperança...
O vidro parecia-lhe agora redoma protectora, livrando-a de todo o mal,
livrando-a de todo o bem,
livrando-a de ter de enfrentar a vida assustadora...
Vivera com a sombra da morte durante 4 meses,
agora q o tumor tinha resolvido partir,
nem sabia o q sentir...
Até perdera o humor negro...
Só lhe apetecia chorar e rezar para a doença voltar...
Às vezes saber o fim não é tão estranho assim,
morrer pode ser mais fácil q viver...
O pior é o medo de ter de viver tudo outra vez,
cada dor, cada enjoo, na sombra da morte...
O ombro sentia ainda aquele peso,
tinha aceite a má sorte e agora tudo mudava uma vez mais...
E se voltasse a mudar amanha?
Ou daqui a um mês, quando fosse feliz outra vez?
Ou se nunca mais se permitisse ao atrevimento de voltar a ser feliz, sequer?
Passara tanto tempo no passado q o futuro lhe
parecia agora bairro novo com a mudança por fazer...
Mas os moveis já estavam no meio da rua,
alguém tinha de os meter novamente dentro de casa da vida...
Perdera o condão de saber quando e como iria morrer,
deixara de saber o q estava a sentir, sabia apenas q se voltara a sentir perdida.,
como as crianças pequenas q largam a mão..
De repente, olhou em frente, o olhar atravessou o vidro e pensou enquanto rezou, a si mesma...
Todos morremos num dia qualquer,
não deve haver pressa em descobrir, o dia ou a razão...

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

:)

...

Muitas vezes desconhecemos os benefícios de dar, dar algo de nós aos outros, desinteressadamente, sem contra-partidas. Não falo de dar um carinho a alguém que nos é próximo, ou uma palavra de conforto a quem conhecemos bem, isso chama-se partilha, é um altruísmo diferente, louvável mas que existe, ou deve existir, na reciprocidade das relações. Falo de dar a quem não conhecemos, a alguém que não tornaremos a ver, não falo de esmolas, não falo de caridades, que nos compram lugares no céu dos crentes, falo de dar sem receber, sem recompensa imediata ou tardia. Coisas simples, sem sacrifícios, sem reconhecimento por parte dos outros, apenas dar...
O lugar no autocarro, uma boleia de chapéu de chuva, dois dedos de conversa a um desconhecido só porque esta vestido de negro e tem um ar triste, um lenço a alguem que espirra, um bom dia a alguém que se cruza consigo no meio da rua... Experimente, descobrirá que dar-se aos outros, assim e só porque sim, pode ser uma das melhores sensações do mundo!

Utopia...

Um dia, as crianças serão felizes e será respeitada a sua sabedoria...
Um dia, os animais não terão de se esconder para poderem sobreviver...
Um dia, a flor não será arrancada da vida pela sua beleza invejada e perdida...
Um dia, amar será suficiente!
Um dia, tudo será diferente e o sofrimento perderá o sentido...
Um dia, a cor deixará de ser barreira ao amor...
Um dia, não haverá diferença ou sinónimo...
Não existirá pecado cometido ou apontado...
Um dia Deus será anónimo e terá em todos nós a mesma crença....
Um dia que poderia começar hoje...
Se não estivéssemos demasiado ocupados,
a correr para os Supermercados!

Desejo a Marte, tão perto…

Perdi-me em constelações perfeitas em
harmonia!
Planetas distantes, com vidas diferentes e provavelmente, nas suas regras sufocantes, inabitáveis para mim...
(Eu sempre fui assim, sempre corri, quando era suposto ficar...)
Deambulei pelo espaço infinito em busca de respostas que nunca chegaram e cujas perguntas deixaram de ser pertinentes...
Perdi-me, em brilhos e rastos de estrelas cadentes,
em satélites e vias lácteas ou vinícolas...
Beijei o chão de Marte e nem por isso me faltou o fôlego para amar-te...
Andei por universos paralelos onde a força de um grito tem o peso da água pura que se escapa entre os dedos...
Nada me confortou, nada calou esta procura de infinito...
As asas repousam, feridas, escondidas...
Talvez nunca voltem a superar os medos...
Talvez nunca mais voltem a voar...

...

Há momentos em que por mais q custe, por mais q retalhe o nosso orgulho, por mais q contrarie a nossa teimosia (pois tantas vezes é mesmo a teimosia que nos mantém…) temos de ser corajosos o suficiente para atirarmos a toalha ao chão.
Quando não há solução, devemos aprender a desistir e construir de novo a boneca de barro da nossa vida que está partida pelo pés.
Recomeçar exige muito mais coragem, talento e determinação do que teimar em esmurrar portas fechadas…

Degraus...

O olhar caiu no chão, como chumbo,
o lábio mordeu-se e o pensamento divagou...
Uma vez mais o pretexto fora de contexto mostrava-lhe o caminho...
Tantas vezes a mesma encruzilhada,
estava farta de conhecer sempre a mesma estrada sem saída,
estava dorida, farta de lamber pó...
Estava só, vazia, já nem doía...
Apenas a desilusão q se sucedia em peças caídas de dominó, constantemente...
Estava dormente...
Farta de correr atrás de fantasmas que atravessam paredes...
Queria esquecer, passar à frente...
O amor não magoa, perdoa...
Ele precisava de a magoar para se sentir amado,
não sabia amar e ela estava cansada demais para o ensinar...
O corpo magoado já não podia aguentar mais, paciência...
Não podia continuar a ser mera escada de emergência,
ora a subir, ora a descer...

domingo, 27 de setembro de 2009

Parabéns ao novo partido "Eu não voto porque não quero, escolhe tu" q obteve 39.4%

Gostos não se discutem...
Mas, há quem nem os tenha sequer, afinal até ter preferência dá imenso trabalho...
Uma vez mais, o nível de abstenção foi vergonhoso, num país que se pode dar ao luxo de escolher os seus governantes (sim, eu sei q nem sempre as opções são brilhantes...), venceu o "eu não voto pq não quero, escolhe tu!"...
Parece-me bem, afinal eu já desconto para quem não desconta, já trabalho por quem não trabalha, tb posso votar por quem não vota!
Não me parceria mal se entregassem esse poder (ah, não sabiam? o voto é um poder q nos foi atribuído, há custa da vida de alguns "malucos" q acharam q devíamos ser nós a decidir e arriscaram o couro para nos dar essa possibilidade...) aos "imbecis q votam", como eu, faça chuva ou faça sol e aceitassem de cara alegre as nossas opções mas, nãoooooooooooo....
O movimento "eu não voto porque não quero, escolhe tu" é muito mais requintado, não vota, mas depois diz, votam sempre nesses patifes... LOL
Pq não são ousados, arrojados ao extremo e iniciam um novo movimento?
"Eu não voto porque não quero, vota tu, mas eu digo-te em qual"...
Enfim tuguices!

sábado, 26 de setembro de 2009

:)

Mpenziwe...

A brisa já não dorme aqui,
as lajes de pedra, hoje são sonhos,
amanha talvez voltem a ser pedra, talvez tesoura, talvez papel, como jogo de força...
As palavras q moram em ti são ondas, ora vêm, ora vão...
Queria ser cordel que amarrasse os momentos em q somos efemeramente felizes...
Os segundos em q o sonho quase toca a tua pele e descobre os segredos q lá moram...
Mas a felicidade sempre foi senhora do seu nariz e nunca gostou de cordéis...
E eu sempre achei q os anéis me castravam os dedos...
Ás vezes, à noite,
quando os violinos choram poemas pequeninos,
de historias de amor inacabadas,
eu revejo este tormento de sina menina e marota...
Porque se cruza o caminho quando o passo já não tem espaço de manobra?
Porque nos cai no colo a felicidade a rir as gargalhadas,
quando sabemos q temos de lhe pedir para falar baixinho?
Preferia q fossem lagoas as tuas palavras, mas escolheram ser ondas...
Ás vezes trazes areia revolta nesse corpo à solta e sabes q me magoas...
És mão na minha mão,
tão cheia de segredos e de medos de ser feliz...
A paixão pode ser assustadora, de tão devoradora,
mas também se rende e aprende...
A brisa já não dorme aqui, deitou-se ao pé de ti desta vez...
Mas o tempo não perdoa, voa tão depressa...
Em breve,
o destino deve morrer na praia das tuas palavras,
cansado de corpo magoado, de nadar...
Chegarás a tempo de o salvar?

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

...

Quem ama não precisa de receber, mas tem de dar...
Quem ama não cobra, mas sente a necessidade de se justificar quando erra...
Quem ama deixa de viver em si e passa a morar no outro e assim, às vezes, passa a ser casa desabitada...
Se quem ama for amado, por quem ama, tudo faz sentido e o amor de ambos é alimento de renovação constante! Ninguem sofre, ninguem fica sem colo...
Mas, às vezes, atrevemos-nos a amar sozinhos...
Por uns tempos o amor, que é corajoso e forte, subsiste alimentando-se de si próprio, vivendo e respirando o ser amado.
Mas, ao longo dos tempos, percebemos que é a nossa casa q vive sem telhas...
Sem ninguém que nos abra as janelas para arejar...
Sem ninguém q nos cuide do soalho...
Quem merece viver em ruínas?
Ame tudo o q puder, mas não se esqueça de si...

:)

...

Todos nós temos uma concha invisível q nos protege dos outros, do sofrimento, do mundo lá fora... Essa barreira invisível vai-se ganhando com o tempo e consiste, no fundo, numa espécie de filtro q impede as nossas emoções de escorrerem desenfreadas para fora, mas também impede q as emoções dos outros nos afectem mais do q o necessário... Por vezes, a vida prega-nos partidas e a concha abre-se, ou porque estamos mais felizes e as defesas baixam, ou porque estamos mais tristes e as defesas mais frágeis...Sim, por vezes, a concha racha...
Quando isso acontece, muitas vezes choramos, muitas vezes sofremos mas, ao fim de contas, viver é isso mesmo, nem sempre é fácil, nem sempre é doce, às vezes dói, mas vale sempre a pena arriscar pelas coisas maravilhosas q também nos oferta, de quando em vez!
Para o mal, ou para o bem, permita-se ter pequenas rachas na sua concha, em princípio só se vive uma vez, se viver mais vidas melhor, mas não se vai lembrar desta nem a vai repetir de certeza!

O menino pobre...

O menino pobre…
O giz branco riscava o alcatrão,
em traços precisos de obra de arte,
os olhos marejados de lágrimas, em jeito de fé sombria,
fechavam-se, de vez em quando, para encontrar a inspiração, que lhe permitissem exprimir a devoção,
à imagem, da virgem Maria...
Queria produzir a foto, em todo o seu esplendor, num gesto puro de amor,
transformando a velha estrada numa linda tela improvisada...
Rezava, enquanto desenhava
de joelhos vincados no chão,
as calças velhas sujas, manchadas de pó de varias cores...
Não tinha dinheiro para velas,
mas desenhara flores, no regaço da virgem...
Os dedos esfolados de fazer os sombreados que davam a expressão ao desenho...
Tanta fé e tanto empenho no traço...
Não pedia nada para si, pedia pelo mundo,
em cada carinho profundo que fazia no quadro de giz...
Pediu, pelas crianças sem mãe, que já nem tinham esperanças...
Pelos doentes que sofriam em camas sem ninguém que lhes segurasse na mão,
pedia pelo idoso que comia caldo sem pão e morria de frio...
Não pediu nada para si, só pediu por eles, por mim e por ti...
Haviam pessoas que passavam e procuravam nas carteiras as moedas mais mesquinhas...
As suas preces verdadeiras também não as esqueciam, enquanto terminava a obra de arte,
pedia para que nunca morressem sozinhas, as pessoas caridosas…
Pedia, enquanto enchia o chão da virgem de rosas, raspando os dedos no chão,
usando o sangue e o pó de giz para colorir o alcatrão...

O pecado das ostras...

Vivo nos impérios distantes dos teus gemidos...
Os meus lábios escaldam em promessas,
perdidas e atropeladas sucessivamente,
por desejos sepultados e renascidos...
Perco-me em viagens proibidas,
onde a tua mão serve de trampolim e me salva do chão...
Fazes parte de mim!
Pele da minha pele,
meu iman de gelo e mel
que me percorre em iões selvagens...
percursos de dedos e língua,
em fragmentos de sonho e de gosto...
Os segredos abrem-se como ostras q desejam sentir a brisa no rosto de gelatina,
(nem as ostras gostam de ficar à mingua do sol do teu cheiro...)
Vivo na linha de agua dos teus beijos,
na iris profunda do teu olhar,
no gosto da tua lingua quente,
na impetuosidade dos desejos que às vezes te transtornam e embaraçam...
Vivo na verdade de cada gesto,
em cada acordar de sesta, ou sono de justiça,
em cada gargalhar de conquista...
Vivo na impaciência de cada segundo,
e no demorar de cada hora...
Na angustia e na paciência...
Sou o teu mundo aqui tão perto,
(as vezes sobrepovoado,
as vezes deserto e desconsolado...)
Aqui, ou lá longe...
Somos apenas, almas pequenas presas em ostras de pecados,
a ser felizes aos bocados...
No meu agora, no teu depois......
Vivo em ti... Vivo pois!

...

É difícil e arriscado amar... É muito mais fácil sermos amados do q nos disponibilizarmos a amar, exige entrega, espírito de sacrifício, exige dedicação... Muitas vezes cobramos dos outros aquilo que nós próprios não produzimos, por preguiça, comodismo, desinteresse e/ou simplesmente por medo... Apenas o amor nos pode tornar felizes e completos, o amor é o único milagre q está ao alcance de todos nós e q podemos realizar todos os dias!

Mais velhos q os trapos...

Por favor Meu Deus leva-me...
Não te esqueças de mim, aqui...
Os meus olhos são órbitas cansadas e pesadas, que já nem conseguem fixar as linhas do rosto...
Dizem q estou louca, porque troco os nomes,
porque peço para me deixarem morrer ...
Infelizmente ainda percebo tudo o q me estão a fazer...
Vejo a minha dignidade a escorrer pelo canto da boca, juntamente com a sopa azeda...
As mãos e os pés amarrados à cama de lençóis encardidos...
(acho que nunca me fizeram a cama de lavado,
gostava tanto do aroma do sabão na roupa de cama, da goma da roupa passada a ferro, imaculada...)
Se me pudesse levantar ficaria uma hora debaixo do chuveiro,
para libertar-me do cheiro da fralda que me serve de colo há dois dias...
Tenho o corpo cheio de feridas por estar sempre nesta posição, se ao menos me deitassem de lado, de quando em vez...
Quem me dera perder a lucidez...
A minha boca é deserto onde a agua não corre há dias, nem consigo falar...
Ás vezes as moscas pousam nos meus olhos durante minutos que me parecem horas e eu nem as consigo enxotar...
Comem os restos de sopa azeda seca que me fica no queixo,
eu nem pestanejo,
deixo-as ficar e faço de conta que já morri...
Por favor Meu Deus leva-me...
Não te esqueças de mim, aqui...
Ou então lembra os meus filhos,
para me virem buscar,
eu prometo não estorvar...
Eu prometo morrer o mais depressa q puder...

Galeões perdidos...

Hoje, deitei-me em ti,
fiz do teu corpo mar morno…
A tua alma fez-se de areia e conchas que tacteei em pegadas…
Ali,
sustentada pela agua,
sentia-me completa!
As vagas de sonho,
de praias desertas,
trouxeram-me mensagens secretas em garrafas…
A água abraçou-me como se o início e o fim fossem a mesma coisa...
O céu não se espelha na água por acaso...
Flutuar e voar é quase igual,
hoje somos gaivotas livres,
sem revoltas ou pecados segredados...
Os cabelos leves são algas
que se balouçam na vontade das marés...
sem duvidas, sem medos, sem segredos...
Apenas tranquilidade!
O sol aquece-me as pálpebras fechadas,
como beijos ternos...
Cardumes de peixes fazem de mim ecossistema,
ou sou apenas sombra amena,
da tua pele dourada de mel…
Lambo o sal dos lábios como se sentisse os teus
nos meus,
vezes e vezes sem conta…
Meu recife de coral de anémona,
onde respiro sem precisar de vir à tona…
Juntos descobrimos galeões espanhóis,
esquecidos de pilhar por piratas,
cheios de dobrões e de pratas mascarados de emoções,
meu tesouro escondido,
oferecido por um Deus maior…
Hoje deitei-me em ti, foste mar, foste onda,
foste sonho, meu amor…

...

A vida é um milagre estranho e delicioso.

Faz-me pensar muitas vezes que o momento certo não é qd queremos, mas qd deve ser, que há alturas de dar e tornar a dar, sem receber nada em troca e há alturas de receber milagres, ainda q achemos q não merecíamos ser recompensados desta vez...

É perceber que o passado e o futuro são a historia de um presente que nem sempre temos sabedoria de aproveitar, mas que se constrói com todos os fragmentos desta linha frágil que conta a nossa historia todos os dias...

È aceitar que não somos todos diferentes mas tb não somos todos iguais e isso tem apenas a importância que lhe quisermos atribuir, pois podemos amar ainda mais essas diferenças...

É acreditar que um dia, no nosso leito de morte, sentiremos q fizemos a diferença, mais q não tenha sido por um dia, ou por um momento, mas só por isso valeu a pena!

Todas as lágrimas secam, todas as gargalhadas param, é assim mesmo q deve ser, um recomeço todos os dias, enquanto nos for permitido!

O mundo a preto e branco...

O gume cai,
mãos decepadas como baralhos de cartas,
paus, ouros, valetes, copas, que interessa o naipe?
Lume que crepita em fogueira maldita...
Sangue e poder,
ganhar e perder,
viver e morrer...
Que importa aqui perto,
o que se passa do outro lado do mundo?
Na vidinha mediocre de todos os dias,
esquecemos que la longe morrem 8 crianças por segundo...
Não são as nossas e não são brancas, que interessa, se sucumbem no chão?
Que interessa,
se não têm mãos, ou andam mancas?
Não brincam com os nossos filhos, pois não?
O daltonismo devia ser um dom...
La longe, onde o som dos gemidos das crianças não ressoa aos nossos ouvidos...
La longe, não há esperança...
Não há comida na mesa,
não ha canção de embalar,
não ha historias do dia de escola para contar...
Apenas a incerteza...
Azar terem nascido ali,
onde a janela de Deus não chega e os nossos olhos não vêem,
o que a nossa alma não nega...
Perdoai-nos senhor porque nós sabemos o que eles lhes fazem...

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Quadros de dedos mel...

Os olhos beberam-se cheios de sede,
como se fosse possível morarem no fundo do brilho da íris...
As bocas calaram-se,
mas ardiam,
num silencio que diz tudo em gestos...
Onde as palavras são adornos supérfluos,
como colares ou sete escravas de latão,
sem valor chamando a atenção como chocalhos provocantes...
As línguas tocaram-se,
saciando a urgência dos lábios sugados e violentados,
em desejos de beijos sucessivos e lascivos...
As pernas flectiam-se insinuantes,
enquanto a mão as separava ao centro,
as nossas mãos sabem amar-nos como ninguém...
A mão dele invejou aquele amor solitário,
(quase celibatário, até...)
e os dedos de ambos confundiram-se em caricias e consolos desgarrando prazer à vez...
A rigidez que se adivinhava,
quase doía,
corrompendo a roupa,
os seios dela apontavam o céu da boca dele, pedindo atenção,
enquanto as pernas se tornavam braços,
em abraços de cintura, galgando altura...
As mãos perdiam-se entre explorações de pele,
mas os dedos pareciam ter mel que apetecia lamber,
o prazer tem vários sabores...
Os sons ecoavam como paletas de cores,
ora suaves, ora intensos,
nos toques dedilhados como gaitas de foles...
Os corpos perdidos, em gemidos ritmados, confundiam-se e consumiam-se...
Nessa hora, não existe mundo lá fora...
Apenas, momento, sentimento e aurora...
Mas o mundo lá fora existe e o amor desiste...
Acorda amor, estavas a sonhar...
acorda amor, chegou a tua hora, tens de acordar.