quinta-feira, 18 de abril de 2019

Still because I can...

As palavras são munições das emoções, ora nos acariciam e aliciam, ora nos rasgam e estragam por dentro...


Há um arco de resposta em cada acção,
uma espécie de boomerang enraivecido
que num gesto atrevido nos traz o coração de volta ao peito...
Amo tudo em que toco por isso evito tanto de tocar nos outros,
não me posso permitir iludir a toda a hora
quando o foco dos meus problemas sou eu, apenas...
Cultivo este rosto de paisagem,
a imagem da serenidade intocável,
inabalável,
uma integridade quase palpável
e por dentro o turbilhão da razão avassalada pela dor...
Amor...
Palavra proibida que só me arranca da vida
e único motivo pelo qual vivo...
Viver custa,
mas Amar arrasa tudo e porém, sem Amar
só nos resta o que não presta.
Ambiguidade deliciosa,
umbiguidade despojada,
maliciosa sabedoria que nos torna ninguém
e o outro alguém em tudo...
Ninguem sabe realmente despir a sua imagem projectada, pois não?
A ilusão do poder que amar nos rouba assusta mais do que a Morte,
os amantes têm a sorte e a audácia de quem nada têm a perder se não tudo,
se não o todo,
se não o lodo de existir numa existência sem importância,
se não ânsia  de um propósito sem consistência...


sexta-feira, 29 de março de 2019

Bife tártaro...

Mãos, pincéis que desenham
e anseiam esculpir,
aneis de escravatura,
pura castração.
perdão que ajoelha a imaginação...
Escultor que trabalha a dor
e me chama de Amor...
Voz rouca,
a vida é uma louca passagem
que só nos traz bagagem...
Gemido engolido pela racionalidade.
Não podemos ter tudo o que queremos...
Liberdade de partir,
nudez sem sensatez,
sonho de cartas a ruir e a espalhar farpas...
Corpo que não obedece
e adormece saciado,
o pecado às vezes mora mesmo ao lado...

terça-feira, 26 de março de 2019

You're so f***ing precious when you smile!

Há sonhos que se sonham em vão,
num varão de dança mal amado, rebuscado
que seduz mas não tem noção da meia-luz que o condena...
Vale a pena?
A vida não me deixa cerrar os olhos, olhar para o lado,
fazer de conta que não (te) vejo...
Maldito desejo!
Agarra-me à força Amor,
dor que se quer sofrer,
faz-me esquecer,
dá-me prazer,
toca-me,
toma-me,
enlouquecer é a chave da felicidade...
Vale a pena?
Como se torna pequena a certeza
quando a beleza nos ofusca e nos governa...

quinta-feira, 7 de março de 2019

Liberdade

Ser,
livre,
livro,
 escolha
folha em branco,
pranto sem vergonha,
sexo,
certeza
beleza em cada cor,
Amor,
conexo,
mulher sem medo,
enredo por escrever,
mão a acenar,
abraço,
laço por enlaçar...
Ser,
arbítrio,
sitio sem fronteira,
vida inteira,
sorriso,
gargalhada sem julgamento,
juízo de coração,
emoção embargada,
sentimento!
Orgulho de chorar,
de sentir,
de florir e desabrochar,
segurança,
criança,
simplicidade,
Liberdade!

segunda-feira, 4 de março de 2019

Mantra ou resignação...

Não quero mais forças frágeis
que se desvanecem e se esquecem de mim,
prefiro assim, ser a única certeza palpável
a fraqueza que se torna intrépida
 e se ergue irresponsável e agreste...
Tu, sempre tiveste uma forma tépida de amar...
Preciso de resistir,
insistir, começar de novo,
lutar contra a mediocridade
que sempre teimei aceitar...
A vida é um ovo de Colombo
à espera de ser resolvido
e devolvido como merecemos.
Não me vou contentar com menos,
com amores pequenos,
mesquinhos e poucochinhos,
geridos por agendas,
acrescentados com adendas confortáveis...
Quero o tudo e o todo,
acasos improváveis e ocasos partilhados,
sem horários marcados.
Quero o que por direito
e por defeito me pertence,
a exigência daquilo que ofereço aos outros,
a resiliência e a loucura,
a pura entrega às escuras...
Porque o Amor é uma ciência de exageros!

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Esmero ou a arte de esmorecer?

Quando se apaga a esperança,
essa herança de optimismo
que o cinismo desfaz
e nos rouba até o mais fugaz dos sorrisos,
reflectimos e admitimos que perdemos.
Esquecemos que o Amor também esquece
e nunca oferece garantias...
As utopias não passam de sonhos de adolescentes,
incoerentes como devem ser sempre os melhores sonhos...
Cansei-me de amar e ser desarmada,
desalmada e desmembrada por...
Nada...
Vim com defeito de serie dentro do peito,
nasci da intempérie dos sentidos potenciados ao infinito...
Medito e admito que o erro deve ser meu,
talvez mereça,
talvez aborreça...
talvez esmoreça, de vez.