domingo, 22 de janeiro de 2017

Pretenciosismo...

Sou um castelo de blocos de madeira,
uma solidez aparente que se destrói e constrói em segundos.
Todos os mundos possuem uma eternidade frágil e hipócrita...
A escrita tem uma verdade camuflada,
uma opacidade de letras que traduzem o pretenciosismo de alguém...
Ninguem nasce a saber escrever,
nunca vi uma árvore a vomitar letras
na sabedoria de pertencer em comunhão...
Sorvo a ilusão  num cálice de vinho tinto,
saboreio o aroma frutado de todos os sonhos,
não colecciono obras de arte em parte nenhuma...
Em suma, somos estreias em meras plateias cansados de esperas
em casas ridiculamente cheias.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

O fim de um conto de fadas ainda é o fim de um conto de fadas...

Sei que existem milhões de coisas horrorosas e cruéis no mundo. E que um divórcio tem a importância de uma gota de agua no oceano. Mas o fim de um conto de fadas, não deixa de ser o  fim de um conto de fadas... E, correndo o risco de ser fútil, deixa-me triste.

Sempre gostei da Angelina Jolie, acho que é um quadro muito mais interessante do que a moldura ( e se a moldura é mesmo qualquer coisa), às vezes na brincadeira até digo que se tivesse que passar para o"lado rosa da força" só seria com a Angelina Jolie.
Há muitas mulheres bonitas, mas a Jolie, tal como o nome indica é uma mulher bela, alguém que não perdeu o olhar atento e sensível sobre o mundo apesar de ter o mundo aos seus pés. Quando ela se encantou pelo Pitt, muita gente tomou as dores da Aniston, que pela reacção rancorosa e vingativa de agora mostra aquilo que sempre pensei dela.
Há quem diga que:" Ela é só um monte de ossos, que mereceu, que foi Karma, que o Pitt é um portentoso macho e merecia ter mais febra para se agarrar..."
Eu honestamente,acho que o Pitt perdeu uma Mulher maravilhosa, acho que jamais se vai refazer disso e terá consciência dessa perda todos os dias da sua vida.
Tenho pena por ver um homem a deitar o mundo a perder por ser fraco, tenho pena que tantos homens sejam tão fracos que percam as Jolies maravilhosas que têm...


sábado, 17 de setembro de 2016

A ignorância é uma bênção...

Os pés são poças de água sem fundo e cada passo a surpresa de flutuarmos ou enterramos o mundo por cima de nós...

A alma é a civilização do corpo,
o preenchimento de uma carne mortal,
visceralmente demente,
que não sente nem se acalma...
Traímos o que sentimos todos os dias,
sonhamos o que traímos  a beber nostalgias fugidias
enquanto amamos cinzas que nos queimam os pulmões.
Talvez por isso me afogue em ar tantas vezes...
Não sei enterrar mortos como deve de ser,
resta-me sempre uma réstia de dor para doer mais tarde...
Ser covarde é melhor.
Existem Portos onde o medo não nos deixa ancorar
e nem sabemos navegar sem embatermos nos cais
onde pousam as gaivotas de uma esperança viva.
Há mais do que o mar, sabias?
porém não sei se há superlativo da beleza que a defina tão bem.
Já não tenho certeza de nada.
Hoje a madrugada chegará mais tarde...
Hoje permito-me ser covarde, demito-me e omito-me
de tudo o que sei.


quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Quem somos ontem...

A felicidade é um grilhão de ouro,
um aquário esplendoroso que nos mostra o mundo
num gesto belo e profundo de orgulhoso servilismo e escravidão.
A paixão tem lábios negros,
amoras silvestres que nos pintam os lábios de sangue
e nos semeiam cardos nos dedos da alma.
Acalma as ondas dos pensamentos vadios, 
tantas vezes vazios de altruísmo...
O egoísmo pode ser belo.
Não sei o que o passado mudaria
se um dia qualquer tivesse sido diferente,
mas sei que continuaria passado...
Nunca questiono aquilo que fiz ou não fiz,
não serve de nada e só alimenta angustias e dores viciantes...
Antes fomos, hoje somos e basta!
O Presente é um presente urgente, o Passado um presente envenenado...

A vida é o caminho que a agua escava por entre os muros da arrogância e demência do nosso livre arbítrio, enquanto nos lava a cara e repara os nossos erros...

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Nomenclatura do vazio.

Os lábios são portas que o  passado lacrou,
risos mordidos e repartidos em mentiras mordazes,
vorazes, como cardumes carpas a devorar beatas...
O Amor é a espera que se faz sem paciência
pelo tempo que vem sem pressa.
Sussurrei o teu nome até à exaustão senil
de já nem o saber soletrar.
Às vezes penso que nunca existimos tu e eu
e que fomos um romance de cordel a aspirar ser lenda...
Há uma fenda de culpa que nos engoliu e deglutiu sem mastigar,
como se a dor fosse um colar macio que sufoca devagar
 e que nos apertava enquanto nos adornava o ego.
Hoje entrego o sonho numa bandeja ferrugenta e gasta,
como pérola de ostra conspurcada por erosão doentia de mar morto.
Nada nos prepara para o nada que nos resta quando não resta mais nada.

sábado, 27 de agosto de 2016

Cadunt altis de montibus umbrae

As forças são um velho cego que encontrou a surdez,
a desorientação fiel rosa dos ventos,
a tristeza a bondade que resta...
Os momentos são horas a girar em espiral,
numa saudade de reencontro banal
que a mudez torna menos incomoda.

Sinto que já fui tudo, sinto que já fiz tudo,
sinto que não mudei nada.
O mundo está igual, não tive qualquer propósito.
Se morresse agora os pássaros voariam na mesma,
as manhãs seriam clarim de alvorada,
as ondas beijariam os pés das mesmas praias...

Somos tão pouco e tão arrogantes,
amantes ambiciosos de rastos leprosos
a deixar cair ridiculos sonhos queixosos.

Se morresse agora a hora continuaria,
minuto a minuto sem fazer luto algum...

Somos tão pouco e tão arrogantes,
amantes intolerantes de passos indecisos
a trocar promessas falsas por esgares de sorrisos...

E eu sou tão pouco.