domingo, 6 de agosto de 2017

Still, Unchained Melody...

Ainda tenho o desenho dos teus lábios na pele,
a impressão do teu cheiro,
o mel desordeiro do teu sabor, Amor...
O meu corpo nu,
teu corpo tempestade bravia da saudade que nos comia,
sem piedade.
Insaciedade do meu ser, cheio de medo de viver...
Inocência, a ciência dos condenados apaixonados!
Ainda tenho o calor dos teus braços na alma,
o desnorte da tua gargalhada desalinhada,
com que  alinhavavas a vida
e o sal de cada despedida nos olhos...
Meu espelho contraluz,
meu inverso,
prosa do verso fugaz
que me reduz ao silêncio mordaz,
lume do meu ciume.

Ainda?
Sempre!

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Symphony of destruction

Não sei explicar como vejo o mundo à minha volta,
só sei que sinto cada olhar, cada cheiro, cada pulsar dos pássaros...
De vez em quando fecho os olhos e sinto o sonhos dos outros,
mas os outros sonham muito pouco...
Devoram dias iguais com finais previsíveis e emoções invisíveis.
Um dia morreremos porque desaprendemos a vida,
seremos a espécie extinta pelo desinteresse...
A evolução é apenas uma jaula maior e com menos ar,
que não nos permite pensar...
Não quero cá estar quando deixarmos de cheirar a relva,
quando não soubermos olhar o mar,
quando não sentirmos a calma de afagar um cavalo...

Fazemos coisas para comprar mais coisas para meter nas coisas que temos e que nos transformam em coisas que fazem os outros querer ter coisas como nós...


sábado, 24 de junho de 2017

O Sorriso da Mona Lisa...

Ardem-me as folhas,
rasgam-se as páginas,
morrem-me as palavras.
O cansaço é o aço que me trespassa
e me abraça com cheiro a morte.
Sorrio, todos os dias,
porque sorrir é um vicio como outro qualquer.
Ser mulher é aprender a sorrir e a acenar e a aceitar...
Ser mulher é ser anjo de um Deus ingrato,
farto de ser perfeito...
Mais um dia, mais um orgasmo, mais um espasmo de melancolia...
A alegria vive nos olhos inocentes dos crentes e dos tolos.
O meu espelho é um semblante carregado,
envelhecido e endurecido pelos ombros do passado.
Desespero e não espero mais nada...
Inspiro o monóxido de carbono e abandono a dor...

sexta-feira, 16 de junho de 2017

;)


Winter is coming...

Não me fales de despedidas,
de amores que passam,
de emoções que se curam...
As vidas são lágrimas que deixam rasto
e se muram em sonhos e expectativas.
Não mereço que mintas e sintas muito.
Há evasivas que não evadem, amor.
Por favor, tivemos culpa.
Não há desculpa para horizontes rasgados.
Nem para desejos partilhados.
Amei-te e vou amar sempre,
porque nunca aprendi a desamar alguém.
Não. Não te perdoo, nem tu, não te deves perdoar nunca.
Porque não te vai acontecer mais, não assim, não comigo,
não connosco.
Haverão outros portos, outros abrigos, outras marés
a lavarem-nos os corpos de espuma e sal,
cópias do original, a entardecer a dor de dizer: Amor...
Mas não te perdoes, porque perdoar é esquecer
e eu recuso-me a morrer, ou a ser um amor bem resolvido,
esquecido, sem razão de ser...
E na minha culpa serás o eterno Inverno do meu sentir.






quinta-feira, 1 de junho de 2017

Crescimento(e)...

Os lábios são uma batuta ritmada por palavras
e a orquestra aguarda o mundo que se estende à minha volta!


Sei que estavas cansado de crescer, amor, quando me encontraste
e me falaste um pouco de ti...
Eu porém, nunca cresci!
Passamos a vida toda a correr para crescer,
eu porém, nunca corri por querer!
A meta é apenas morrer, nada mais...
Somos mais sábios quando somos crianças,
cheios de esperanças, cheios de sonhos, cheios.
E cada vez que crescemos esvaziamos qualquer coisa,
sempre.
Nada será mais completo do que os seios da nossa mãe,
nada será mais preenchido do que um colo,
nada será mais perfeito do que um primeiro sorriso...
O juízo é o mundo a castrar-nos a vida,
aquela consciência que nos protege de viver,
aquela mordaça que nos sussurra incapacidade...
A regra, o limite, o morrer devagarinho,
o não chorar, o depois, o não pode ser,
aprendemos a morrer.
Quando nascemos temos a liberdade de quem já o soube desaprender...




domingo, 14 de maio de 2017

Acho que me apaixonei por ti, Salvador...

O mundo ontem amou em português, leu nas entrelinhas dos teus gestos desajeitados e na profundidade do teu sentir uma mensagem simples mas que nos emociona a todos. 

Não me conquistaste à primeira, confesso, primeiro estranhei-te, estranhei-te à brava, mas a canção conquistou-me e rendida entranhaste-te cá dentro e torci por ti e pela tua irmã que te escolheu para lhe cantares a alma.

Mas não foi aí que me apaixonei por ti, Salvador, só me apercebi que eras o tal, quando chamaste a tua irmã ao palco, quando disseste na conferência de imprensa que falar nos refugiados não era uma mensagem politica era uma mensagem humanitária, que não eras o herói de Portugal e seria muito estranho veres-te nesse papel, porque tu só estavas ali para nos devolver algo, o valor de escutar uma boa musica, algo escrito para nos fazer sentir alguma coisa. E ainda mais quando afirmaste a sorrir que esta euforia ia passar, porque tudo passa e a tua importância hoje, daqui a um mês seria irrisória. 
Afirmaste-o sem falsa modéstia, nesse teu encarar da vida de forma imediata e despretensiosa,  com o teu sorriso desgovernado, inocente e ao mesmo tempo desafiante de tão genuíno.

Tu pautaste pela diferença que te é tão natural e foi essa diferença que nos desconcertou a todos. 

E não te preocupes, não me (nos) deves nada, o meu coração pode amar pelos dois!