domingo, 19 de agosto de 2018

50 Shades of pain

As emoções são borboletas frágeis,
voam nas margens da razão,
elevando o coração até uma morte certa...
Amo como escrevo,
de alma nua,
de peito aberto,
sem rumo certo...
A esperança é um rua vazia,
onde o silêncio ensurdece
quem passa.
A minha alma abraça os teu olhos
que perderam a capacidade de acreditar
que uma onda não apaga o mar...
Acredito que o Amor
é a dor sublimada em imortalidade,
a única verdade que interessa
e nos atravessa a rasgar os conceitos
que os nosso peitos aprisionaram...
Perdemos só o que nunca encontrámos,
cegos pelo pó do medo
e da arrogância que nos sobeja,
na ânsia de que a distância nos proteja de amarmos...
O Amor porém, não maltrata ninguém,
não anseia por ser a mágoa que rasa os olhos de agua,
não se escreve pela dor,
ou o horror de castigar,
Amar é pertencer,
ou morrer a procurar.






sábado, 18 de agosto de 2018

...

Não sei lidar com a dor, bloqueio tudo cá dentro e permito-me chorar um fragmento daquilo que me é suportável...

A minha cabeça é uma roda de hamster, gira numa velocidade esférica, até à exaustão...
Revejo a tua morte vezes e vezes sem conta, visualizo o sofrimento, a agonia, a solidão que sentiste por uma ajuda que não chegou a tempo...
Uma ajuda que não chegou, de todo...
Não merecias nada disto, que terás pensado nos últimos instantes enquanto te vias desamparado, com dores, sem conseguires articular uma palavra?
Quantas horas estiveste ali, ante a confusão dela,  que te enfiava agua à força, pela boca abaixo?
De queixo e braço partido, no chão, a dor dilacerante a esmagar-te o peito, o ar a entrar cada vez mais devagar, o corpo a desistir de tolerar o sofrimento?
Quantas horas?
Como me posso eu perdoar-me por uma coisa destas?
Como podemos todos perdoar-nos por uma coisa destas?
Como pode a vida de todos nós continuar, normalmente, depois de uma coisa destas...
O mundo é um lugar estranho.
A curiosidade de todos os que te foram destapar para observar o teu sofrimento, mais de perto...
O padre que falava de ti, sem te conhecer de lado nenhum e tinha de ler o teu nome para saber de quem falava.
Aquelas velhas bafientas que me vieram beijar e avaliavam cada lágrima com um prazer obsessivo enquanto tentavam adivinhar quem eu seria...
E eu, cheia de nojo, cheia de raiva, com vontade de gritar para desaparecerem todos dali e me deixarem sozinha contigo para te pedir desculpa...
Desculpa tio por não pressentir que precisavas de ajuda.
Desculpa.



quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Ultima dança

Foi contigo que aprendi a gostar de musica clássica, devia ter uns 9/10 anos, eu disse que era horrível e que não dava para dançar e tu mandaste-me ouvir de olhos fechados.
Dançavas a valsa comigo, adoravas dançar...
Tinhas montanhas de paciência para mim, para eu não enjoar no carro deixavas-me ir lá atrás, agarrada ao teu banco a cantar aos teus ouvidos!
Foi contigo que passei anos de férias na minha praia preferida, íamos juntos para a agua e ria-me de ti porque nadavas sempre de costas.
Morreste hoje.
Gosto muito de ti, vou gostar sempre, porque o Amor não acaba aqui, deves-me uma ultima valsa ao som do Pavarotti!



João Pinho 13/03/1935-16/08/2018

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Partitura ou condenação...

Respiro-te como pauta de musica,
articulando,
pausadamente,
o poder de cada nota,
quero sentir cada momento,
cada suspiro,
cada movimento,
aqui,
onde o tempo é barco sem leme...
Geme,
grita,
a vida se deixarmos fica sempre para trás,
aflita...
Traz contigo tudo o que consigo adivinhar,
há quanto tempo não fechas os olhos para ouvir o mar?
Respira como pauta de musica,
articula,
vorazmente
a loucura da orquestra,
sente os momentos todos,
contornos do meu corpo arqueado
enrolado no teu,
circulo perfeito,
peito em compasso certo,
o céu aqui tão perto,
erosão de desgaste consentido,
gemido após gemido...
Há quanto tempo não fechas os olhos para ouvir Amar?



sábado, 11 de agosto de 2018

Livre arbitrio

Há histórias escritas a carvão
pela mão do tempo,
palavras rasgadas pelas almas feridas
perdidas num momento de fúria...
Jura que o Amor é tudo o que preciso,
 jura não há juízo maior que a razão do Amor...
Um dia tive asas e escolhi morar aqui
entre os homens que não sonham,
entre os dementes que não amam,
entre os indiferentes que não vivem...
Escolhi ser destroçada vezes e vezes sem conta
na afronta de viver sempre fora do peito
e fazer do meu leito a cura do sofrimento...
Escolhi olhar dentro dos outros e beber-lhes a alma devagarinho,
sabendo que o único caminho da lucidez
é aquele que se trilha com o coração
e jamais com os pés...
Escolhi amar sem limites,
mesmo que nunca acredites ser possível.
Um dia, quando morrer, saberei que nunca precisei de asas para voar
e que Amar chega e não cega!





O tempo não cura, só atrasa...

Não procuro o contacto imediato das coisas frívolas,
a minha alma não se acalma com a superficialidade
da realidade furtiva,
cativa das aparências e indecências fugazes...
Se todos fossemos capazes de Amar,
de despir os medos e contar os segredos mais sombrios ao vento,
o mundo seria um lugar menos vazio...
Quero um Amor profundo,
um Amor voraz,
capaz de tudo,
louco,
infantil,
febril e solto!
Quero ser feliz,
intensamente,
imensamente,
obscenamente feliz!