domingo, 14 de outubro de 2018

Caçadores furtivos

Há um epicentro de cimento dentro de mim,
uma espécie de edificação em marfim
que ceifou a vida a manadas de elefantes
e outras espécies protegidas...
Antes havia o sonho,
agora o conforto da distância
e esta ânsia de me converter à solidão.
Não suporto mais ficar à espera,
antes só do que este nó constante na garganta,
escolho ser feliz nos meus termos,
no meu tempo,
sem a imposição da desilusão alheia...
Estou cheia e completa,
numa felicidade discreta mas confiante.
O esforço não compensa o sacrifício,
o oficio de servir os outros e continuar sem sentir...
Preciso de me ouvir,
de me escutar,
de me respeitar mais...
A paz não se procura lá fora,
numa madrugada semi-partilhada,
semi-perfeita,
semi-quase-nada...
Eu não quero que me completem,
quero que me aceitem!


quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Guilty pleasure...


Hipnagogia

Agarro o meu coração na mão,
 a força vai diminuindo
enquanto o estado de consciência se apaga,
 draga tudo o que me rasga cá dentro
e arrasta a minha essência num grito mudo…
Estou cansada.
Estamos condenados,
seres egoístas a regatear conquistas irrisórias
enquanto vasculham as histórias uns dos outros...
Quero despir-me e nadar no mar,
purificar-me e amar-me ali mesmo!
Encher os pulmões de agua até me habituar
a respirar fluídos outra vez…
Não pertenço aqui.
Anjo da guarda que guarda a minha dor,
vamos escrever Amor na cor do céu!
Tu e Eu...
Quero-te nu a beijar-me devagar,
preciso de sentir que Amar não é mentir a mim mesma
e é possível,
mesmo na demência
de me recusar à dormência do mundo desenvolvido…
Faz amor comigo!
Larga as asas e nada!
Quero o sabor salgado da tua pele,
o fel da humanidade não é a nossa verdade,
foste feito para Amar,
salvar o mundo um leito de cada vez!
Deixa-me dormir nos teus braços
antes de ouvir os passos da inevitabilidade
de ter de continuar a enterrar os meus pés
na lama do mundo onde as marés não governam…
Onde os homens não Amam…
Onde os homens não sonham...


terça-feira, 9 de outubro de 2018

Ponto Cardeal

Ás vezes sou um sopro que viaja a lamber o céu,
o inicio do véu da noite que destapa as estrelas,
o vicio de morder os lábios de alguém...
Sou o todo que se confunde com o tudo
 e se funde com o universo,
o verso que ama a estrofe,
o Amor que nos entope as veias!
Sei que no final há um sinal
que nos abranda e nos manda de volta a casa,
nos devolve a asa e nos envolve de tranquilidade...
Sei a verdade de todas as coisas,
só desconheço o preço que tenho a pagar...
Gosto de Amar,
de me envolver no cheiro dos outros
como se fosse um primeiro beijo suave e doce!
A minha fragilidade aparente
sente a força de cada lágrima,
sou abraço e aço de esgrima
a trespassar e a mergulhar em ti!
Tudo tem um sentido que vai além do desconhecido,
um rumo envolto em fumo,
a ânsia mórbida e sórdida de saber o fim...
o Amor é o único ponto cardeal
que tenho em mim
o retiro espiritual que nos salva constantemente
da semente da irrelevância!


segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Eu te I love you!

Lambo-te as lágrimas, devagar,
cada gota saboreada nos meus lábios,
cada dor s-o-l-e-t-r-a-d-a nos meus sonhos...
Ergo-te e ajoelho-me a chorar por ti,
descansa meu Amor,
estou aqui a trocar de lugar contigo...
Somos isqueiros acesos,
presos em chamas violentas,
eu sei que não aguentas mais
e ainda assim não reclamas de nada
sempre que me chamas de Amor...
A vida é tramada mas juntou-nos...
Vou cuidar desse mar no teu olhar,
hoje és areia molhada,
amanhã serás de novo rebentação,
meu coração desfeito a soluçar dentro do peito...
Gosto tanto de ti...
Minha tormenta atormentada,
princesa sem castelo ou flores no cabelo...
Estou aqui a dar colo,
a lamber-te as feridas nas próximas mil-vidas
que te destruírem...
Nasceste árvore em solo crispado de pedras
e ainda assim teimas em dar sombra aos outros...


quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Burn baby burn!

Dispo-me,
a roupa desliza pela pele lisa,
baixo as luzes
e imagino que me seduzes com o olhar,
começo-me a tocar,
os meus dedos conhecem-me de cor,
mordo-me e sinto o sabor a desejo
como se desse um beijo violento,
olhos fechados,
os joelhos dobrados a roçar um no outro,
mamilos erguidos,
gota que escorre até ao umbigo,
quando consigo finalmente respirar...
Gemo,
 tremo por dentro,
conheço-me,
meço-me na resistência,
ainda não,
um pouco mais devagar,
posso esperar o tempo que quiser
e recomeçar tudo outra vez,
sei que me vês na tua imaginação,
constantemente,
de sexo na mão,
demente por não me poderes tocar,
porém,
rio-me com desdém
a imaginar a tua frustração!
Nua,
suada,
saciada,
sem precisar de ti para nada!



quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Nenúfar

Anjo de uma só asa que me abraça e me morde o pescoço
peço-te perdão,
pelo teu esforço, em vão,
eu sei que tenho o condão
de transformar a ilusão em solidão...
 Sou uma Pétala caída e esculpida em falta,
flauta que suspira enquanto respira saudade,
ansiedade,
absinto quando me sinto embriagada...
Janela com vista para o nada,
substrato em terra infértil,
extrato de banco sem saldo,
projéctil que me atinge
e finge ser Amor...
Dor.
Nenúfar rasgado ao meio
a deixar-me afogar
sempre que me castigo
a procurar abrigo em alguém...
Não existe ninguém.
Meu Anjo infeliz que me diz ao ouvido
que está preocupado comigo...
Tu não tens culpa de nada,
sou apenas uma pétala rasgada,
de uma flor que perdeu a cor há algum tempo...