terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

I feel like I'm drowning

Luzes a meio tom,
som da respiração a quebrar o silêncio,
intenso prazer de te tocar,
desculpas a morrer na boca...
Revolta que se aquieta
e se deita connosco.
Coração que não remenda,
tempo que não emenda nada...
O Amor é só a moldura do egoísmo,
cinismo mascarado de cores,
ornamentado com flores.
Todos queremos ser amados,
despidos no chão com violência,
perder a decência e a merda da moral...
Mas não amamos, pois não?
Queres-me nua e quente
debaixo de ti, obediente?
Prefiro ser marialva que montaria,
não sou tua, meu Amor...
Tu queres uma utopia manipulável
 mas sou apenas realidade palpável...
Na verdade nunca possuímos coisa alguma,
em suma somos efémeros amantes patetas,
meros arrogantes de mãos abertas,
a tentar prender o mar...
Recusamos-nos a ver que nos estamos a afogar.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

A broken heart could not, ever, be mend.

Não.
Não existem sopros à tua espera,
uma quimera reconstruida de esperança e corpo,
um morto qualquer para carpir numa campa...
O teu coração sempre foi rampa de lançamento
sem meta de chegada,
ou alvorada de céu azul.
És o prazer irrelevante,
sem rasto, ou rosto,
de uma mulher na multidão,
uma errante de percurso,
rio sem curso que morre sempre antes do mar.
AMar, porque amar afoga
e tu nunca aprendeste bem a nadar...
Escolhes sofrer por opção
porque nunca encolheste o coração o suficiente...
Mente demente que só sente...
Escolheste ser assim?
Sim? É-se idiota por opção?
Aprende que o Amor só te prende porque queres,
só te esquece porque mereces,
só te magoa porque o queres mesmo que doa.
Mas o Amor, minha flor, não te quer.



terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Thrill me, kill me...

Não há desculpas, razões ou ilusões por cumprir,
o coração é uma ampulheta quebrada,
jogada fora na hora de qualquer Adeus...
Podíamos congelar o tempo mas de que serviria fugir do inevitável?
O Amor não é palpável
é uma utopia passageira,
moldada à maneira da vida de cada um...
(Adoro esta sabedoria de senso comum,
desprovida de profundidade...)
Na verdade vestes o Amor como um casaco sazonal,
um adereço, com um preço de saldos,
que despes mal chegas ao destino...
O teu tempo é um corredor fino,
onde a dor só corre na direção inversa,
uma contra-mão perversa...
E o Amor um obeso triste que insiste em tentar passar.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

My Wings...

Dança,
balança o corpo como vagas selvagens,
sente o impacto do chão
enquanto o teu coração se fragmenta
porque não aguenta mais...
Dança,
alcança a dor e transforma-a em movimento,
sente  a paz que o cansaço traz
quando o teu corpo se purifica de respiração em passo de corrida...
A dança é o teu abraço,
o teu unguento,
a tua cura,
a tua vida!
A loucura que te mantém
e te sustém quando tudo o resto falha...
Exorciza os músculos,
o mundo faz mais sentido quando a musica te envolve
e te devolve intacta!




terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Só é fogo se queimar...

Não quero mais dias de Inverno,
tempestades violentas sedentas de destruição
a uivar na minha alma
com uma calma de morte...
O Amor é apenas uma lente opaca
e eu estou fraca e cansada desta miopia...
Um dia...
Hoje não.
Estou farta do frio vazio frio que se cola à minha pele,
este sabor cruel de uma solidão acompanhada de nada...
Toda a gente gosta de roubar um pouco do que eu tenho para dar...
Um dia...
Não hoje.
Numa manhã mastigada de coragem e ferrugem
terei a ousadia de rir disto tudo...
Quando tiver neve nos cabelos
e a morte souber que dançará comigo em breve!
Sinto-me só num mundo entupido do ruído de tanta gente
a ser devorada às dentadas...
E quando só restarem os ossos?
Terás saudades minhas?
Se calhar já tinhas, sem saberes e quando souberes será tarde,
porque o tempo, meu Amor...
O tempo arde.



segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Perfume...

Instante,
flagrante momento
onde o tempo se dobra
e cobra tudo o que devemos...
Queremos o mundo
sorvido num shot de felicidade!
A vaidade, vai? Com a idade?
Somos prisioneiros da nossa vontade...
A loucura cura tudo e é desculpa que iliba a culpa?
Tu, rendido nos meus braços, Amor!
Preso na idade da inocência
conspurcada pela urgência do meu corpo...
 O teu sabor preso aos meus lábios,
desejo aceso a incendiar a madrugada,
gemidos interrompidos por bocas encaixadas!
Intensa pertença que se pertence...

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Hello Darkness my old friend...

Cansaço,
o aço que nos vence a todos,
nos modos desajustados de um tempo que não aguento
e me destrói por dentro...
Um
Dois
Três...
Era uma vez alguém que não era de ninguém
e preferiu morrer a deixar-se pertencer...
Amor, estado de hipnose colectiva!
Tentativa de manipulação que me esmaga o coração...
Temporal que arrasta o meu corpo entre agua e ventania,
agonia de me tentar agarrar...
Suster a respiração e ver a tona sempre mais distante,
sou uma amante de circunstância e oportunidade...
Um involucro que desperta curiosidade
com um conteúdo demasiado elaborado...
Um
Dois
Três...
Era uma vez...